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Sábado, 3 de outubro de 2026

Pesquisa Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno

Na véspera do primeiro turno, Lula enfrenta desaprovação de 49% e empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, segundo a Quaest.

Por Ricardo Vasconcelos 4 min de leitura
Apoiadores acompanham um ato de campanha em uma avenida de São Paulo, com bandeiras sem identificação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Apoiadores acompanham um ato de campanha em uma avenida de São Paulo, com bandeiras sem identificação.
Resumo em 30 segundos

Lula chega ao primeiro turno com desaprovação do governo de 49%, contra 46% de aprovação, e empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, segundo a Quaest. O presidente lidera no primeiro turno, mas a campanha enfrenta dificuldades no Sudeste. Medidas anunciadas em 2026 somam impacto estimado de R$ 411,2 bilhões, enquanto a projeção de déficit subiu para R$ 80,9 bilhões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à votação deste domingo (4) com desaprovação do governo numericamente maior que a aprovação e em empate com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno, segundo pesquisa Quaest. No primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, ante 34% de Flávio.

A pesquisa divulgada na segunda-feira (28) aponta que 49% dos entrevistados desaprovam o governo e 46% aprovam. Na rodada anterior, feita uma semana antes, os índices eram de 50% e 44%, respectivamente. A variação reduziu a distância entre as avaliações, mas a desaprovação continuou acima da aprovação.

No cenário de segundo turno entre os dois principais candidatos, Lula e Flávio aparecem com 42% cada. Flávio tem defendido que eleitores que preferem outros nomes o apoiem já no primeiro turno, com o objetivo de encerrar a disputa nessa etapa. Em uma transmissão nas redes sociais, pediu que esses eleitores considerassem votar nele para “resolver essa parada logo no primeiro turno”.

As candidaturas de centro e centro-direita somam 12% na pesquisa estimulada de primeiro turno. Entre os nomes citados estão o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). A campanha de Flávio aposta no chamado “voto útil” para atrair parte desse eleitorado.

O cientista político Hilton Fernandes, pesquisador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, afirmou que a dificuldade de Lula em melhorar a avaliação do governo chama atenção. Segundo ele, historicamente, a imagem de presidentes que tentam a reeleição tende a avançar durante o período de campanha. “Em todas as eleições desde a redemocratização, a imagem e a avaliação de governo durante o período de campanha melhoram, mas isso não está acontecendo com Lula agora”, disse.

Ao longo de 2026, o governo anunciou ou ampliou iniciativas cujo impacto estimado chega a R$ 411,2 bilhões. Entre os programas e medidas com maiores valores estão o Nova Indústria Brasil, com R$ 140 bilhões; o Mover Brasil, com R$ 55,2 bilhões; o Reforma Casa Brasil, com R$ 40 bilhões; e a desoneração do diesel, calculada em R$ 30 bilhões.

O conjunto inclui ainda R$ 28 bilhões para a isenção do Imposto de Renda, R$ 24,8 bilhões para a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e R$ 23,2 bilhões para o Desenrola Brasil. Na área social, estão previstos R$ 11,5 bilhões para o Pé-de-Meia, R$ 5,8 bilhões para o adicional do Bolsa Família e R$ 5,1 bilhões para o Gás do Povo. Também aparecem R$ 11 bilhões para o Programa Brasil contra o Crime Organizado e R$ 15 bilhões para o Plano Brasil Soberano 2.0.

Em setembro, cerca de 15 dias antes da votação, Lula reajustou o Bolsa Família e lançou o Desenrola 3.0. O governo também proibiu as bets e avançou na promessa de disponibilizar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, uma das principais apostas do governo para melhorar a popularidade, alcançou cerca de 16 milhões de pessoas, mas não alterou a avaliação na medida esperada, segundo a matéria de origem.

As medidas também foram acompanhadas por aumento nas projeções fiscais. Nos dois meses mais recentes, a estimativa de despesas subiu R$ 22,1 bilhões, enquanto a previsão de déficit efetivo em 2026 passou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões. Entre os fatores mencionados estão a expectativa menor de arrecadação e novas despesas, como subsídios a combustíveis e o reajuste do Bolsa Família.

João Gabriel Pio, economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), afirmou que transferências de renda protegem famílias vulneráveis, mas avaliou que o calendário dos anúncios suscita dúvidas. Ele alertou que decisões fiscais voltadas ao curto prazo podem pressionar a dívida e os juros e reduzir espaço para investimentos e geração de empregos.

Nos últimos dias de campanha, Lula concentrou compromissos no Sudeste, que reúne cerca de 40% do eleitorado brasileiro. A agenda passou por Juiz de Fora e Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Minas Gerais, a Quaest indicou Lula com 35% e Flávio com 31%, em empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

A disputa estadual mineira também é desfavorável ao candidato petista citado na pesquisa: Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 37%, enquanto Patrus Ananias (PT) tem 18%. Em São Paulo, Flávio registra 36% na disputa presidencial, contra 30% de Lula; no Rio, os índices são de 38% e 31%, respectivamente. O analista político Beto Vasques afirmou que o resultado dependerá dos eleitores sem posição ideológica fixa e do nível de abstenção.

Quem é quem

Luiz Inácio Lula da Silva
Político brasileiro do Partido dos Trabalhadores (PT), foi presidente da República e disputava a reeleição em 2026. A pesquisa citada na notícia o coloca à frente no primeiro turno, mas em empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
Flávio Bolsonaro
Político brasileiro e senador pelo Partido Liberal (PL), concorreu à Presidência da República em 2026. Na pesquisa Quaest citada, aparece em segundo lugar no primeiro turno e empatado com Lula em um cenário de segundo turno.
Quaest
Instituto brasileiro de pesquisa que realiza levantamentos de opinião pública e intenção de voto. Os resultados mencionados na notícia incluem avaliação do governo federal e cenários de votação para a eleição presidencial de 2026.

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