Pesquisa Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno
Na véspera do primeiro turno, Lula enfrenta desaprovação de 49% e empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, segundo a Quaest.
Resumo em 30 segundos
Lula chega ao primeiro turno com desaprovação do governo de 49%, contra 46% de aprovação, e empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, segundo a Quaest. O presidente lidera no primeiro turno, mas a campanha enfrenta dificuldades no Sudeste. Medidas anunciadas em 2026 somam impacto estimado de R$ 411,2 bilhões, enquanto a projeção de déficit subiu para R$ 80,9 bilhões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à votação deste domingo (4) com desaprovação do governo numericamente maior que a aprovação e em empate com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno, segundo pesquisa Quaest. No primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, ante 34% de Flávio.
A pesquisa divulgada na segunda-feira (28) aponta que 49% dos entrevistados desaprovam o governo e 46% aprovam. Na rodada anterior, feita uma semana antes, os índices eram de 50% e 44%, respectivamente. A variação reduziu a distância entre as avaliações, mas a desaprovação continuou acima da aprovação.
No cenário de segundo turno entre os dois principais candidatos, Lula e Flávio aparecem com 42% cada. Flávio tem defendido que eleitores que preferem outros nomes o apoiem já no primeiro turno, com o objetivo de encerrar a disputa nessa etapa. Em uma transmissão nas redes sociais, pediu que esses eleitores considerassem votar nele para “resolver essa parada logo no primeiro turno”.
As candidaturas de centro e centro-direita somam 12% na pesquisa estimulada de primeiro turno. Entre os nomes citados estão o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). A campanha de Flávio aposta no chamado “voto útil” para atrair parte desse eleitorado.
O cientista político Hilton Fernandes, pesquisador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, afirmou que a dificuldade de Lula em melhorar a avaliação do governo chama atenção. Segundo ele, historicamente, a imagem de presidentes que tentam a reeleição tende a avançar durante o período de campanha. “Em todas as eleições desde a redemocratização, a imagem e a avaliação de governo durante o período de campanha melhoram, mas isso não está acontecendo com Lula agora”, disse.
Ao longo de 2026, o governo anunciou ou ampliou iniciativas cujo impacto estimado chega a R$ 411,2 bilhões. Entre os programas e medidas com maiores valores estão o Nova Indústria Brasil, com R$ 140 bilhões; o Mover Brasil, com R$ 55,2 bilhões; o Reforma Casa Brasil, com R$ 40 bilhões; e a desoneração do diesel, calculada em R$ 30 bilhões.
O conjunto inclui ainda R$ 28 bilhões para a isenção do Imposto de Renda, R$ 24,8 bilhões para a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e R$ 23,2 bilhões para o Desenrola Brasil. Na área social, estão previstos R$ 11,5 bilhões para o Pé-de-Meia, R$ 5,8 bilhões para o adicional do Bolsa Família e R$ 5,1 bilhões para o Gás do Povo. Também aparecem R$ 11 bilhões para o Programa Brasil contra o Crime Organizado e R$ 15 bilhões para o Plano Brasil Soberano 2.0.
Em setembro, cerca de 15 dias antes da votação, Lula reajustou o Bolsa Família e lançou o Desenrola 3.0. O governo também proibiu as bets e avançou na promessa de disponibilizar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, uma das principais apostas do governo para melhorar a popularidade, alcançou cerca de 16 milhões de pessoas, mas não alterou a avaliação na medida esperada, segundo a matéria de origem.
As medidas também foram acompanhadas por aumento nas projeções fiscais. Nos dois meses mais recentes, a estimativa de despesas subiu R$ 22,1 bilhões, enquanto a previsão de déficit efetivo em 2026 passou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões. Entre os fatores mencionados estão a expectativa menor de arrecadação e novas despesas, como subsídios a combustíveis e o reajuste do Bolsa Família.
João Gabriel Pio, economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), afirmou que transferências de renda protegem famílias vulneráveis, mas avaliou que o calendário dos anúncios suscita dúvidas. Ele alertou que decisões fiscais voltadas ao curto prazo podem pressionar a dívida e os juros e reduzir espaço para investimentos e geração de empregos.
Nos últimos dias de campanha, Lula concentrou compromissos no Sudeste, que reúne cerca de 40% do eleitorado brasileiro. A agenda passou por Juiz de Fora e Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Minas Gerais, a Quaest indicou Lula com 35% e Flávio com 31%, em empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
A disputa estadual mineira também é desfavorável ao candidato petista citado na pesquisa: Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 37%, enquanto Patrus Ananias (PT) tem 18%. Em São Paulo, Flávio registra 36% na disputa presidencial, contra 30% de Lula; no Rio, os índices são de 38% e 31%, respectivamente. O analista político Beto Vasques afirmou que o resultado dependerá dos eleitores sem posição ideológica fixa e do nível de abstenção.
Quem é quem
- Luiz Inácio Lula da Silva
- Político brasileiro do Partido dos Trabalhadores (PT), foi presidente da República e disputava a reeleição em 2026. A pesquisa citada na notícia o coloca à frente no primeiro turno, mas em empate com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
- Flávio Bolsonaro
- Político brasileiro e senador pelo Partido Liberal (PL), concorreu à Presidência da República em 2026. Na pesquisa Quaest citada, aparece em segundo lugar no primeiro turno e empatado com Lula em um cenário de segundo turno.
- Quaest
- Instituto brasileiro de pesquisa que realiza levantamentos de opinião pública e intenção de voto. Os resultados mencionados na notícia incluem avaliação do governo federal e cenários de votação para a eleição presidencial de 2026.