Flávio Bolsonaro mantém candidatura presidencial apesar de crises e investigação
Flávio Bolsonaro chega à eleição presidencial com candidatura consolidada, apesar de crises, disputas internas e investigação sobre relações com Daniel Vorcaro.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro chega à eleição com candidatura consolidada, após crises envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, disputas no grupo bolsonarista e dificuldade para atrair partidos do Centrão. A Polícia Federal investiga o senador por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção; ele nega irregularidades. A campanha também explorou críticas ao STF e temas como segurança e custo dos alimentos.
Flávio Bolsonaro (PL) chega às vésperas da eleição presidencial com a candidatura consolidada, após atravessar uma campanha marcada por crises, disputas internas e dificuldades para formar alianças. O senador é apontado como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, e manteve competitividade nas pesquisas eleitorais, segundo a matéria de origem.
Escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar a Presidência, Flávio construiu a campanha com a tentativa de se apresentar como o integrante mais moderado da família. A estratégia também buscou diferenciá-lo do pai, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Integrantes da equipe avaliam que o candidato herda tanto parte do eleitorado de Jair quanto a rejeição associada ao ex-presidente.
A coordenação nacional ficou a cargo do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e ex-ministro do governo Bolsonaro. Ele conduziu a articulação regional e a estratégia política, mas algumas decisões e seu perfil centralizador foram criticados por aliados. Flávio e Jair, no entanto, deram a Marinho autonomia para organizar a campanha.
Segurança pública, custo dos alimentos e corrupção foram os temas centrais da comunicação eleitoral. A equipe de marketing passou por mudanças frequentes: Sergio Lima, Marcello Lopes, Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari ocuparam a função antes de Duda Lima, que assumiu em agosto e conduziu a propaganda na etapa final.
A pré-campanha enfrentou problemas de comunicação, dificuldades de articulação e conflitos dentro do grupo, segundo relatos atribuídos a interlocutores. Episódios sucessivos reduziram o espaço para a divulgação de propostas. A avaliação interna descrita na matéria é que o período oficial de campanha foi mais favorável ao candidato.
Uma das crises de maior impacto envolveu o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Mensagens revelaram que Flávio pediu recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O senador afirma que solicitou investimento privado e sustenta que a produtora é responsável por prestar contas. Ele nega irregularidades.
A Polícia Federal investiga Flávio por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, em inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens indicaram que o senador chamava Vorcaro de “irmão” e que o visitou depois da prisão do ex-banqueiro. Também veio a público que Flávio usou um jatinho de Vorcaro, embora tivesse negado isso meses antes. Em relatório encaminhado ao Supremo, a PF descreveu o senador como “interlocutor direto” de Vorcaro.
A divulgação de informações sobre o caso voltou a ganhar espaço depois que Mendonça retirou o sigilo de partes da investigação. Ainda assim, a campanha concentrou as críticas recentes no STF e no ministro Alexandre de Moraes, além de elogiar a atuação de Mendonça como relator. Aliados de Flávio atribuem parte do avanço nas pesquisas à crise entre ministros da Corte e à associação, feita pela campanha, entre o desgaste do Supremo e Lula.
O caso “Dark Horse” e o rompimento público entre os filhos de Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle foram apontados como momentos de recuo nas intenções de voto. A campanha só teria recuperado o terreno perdido em setembro. O senador também enfrentou críticas pela tentativa frustrada de reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e pela falta de adesão de partidos do Centrão.
A articulação partidária foi outro obstáculo. Dirigentes de legendas do Centrão esperavam ser consultados antes do anúncio da candidatura, feito em dezembro do ano passado, e parte deles preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome da direita. PP e Republicanos recusaram convite para compor a chapa. Após meses de indefinição, Flávio escolheu o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para candidato a vice, na véspera do prazo de registro.
A campanha também tentou ampliar o apoio entre mulheres, com a participação de Michelle, de Fernanda, esposa do senador, e da coordenadora do plano econômico, Daniella Marques. Flávio associou sua imagem à de “pai de menina”. Outra controvérsia foi a exibição, na convenção de lançamento, de uma representação de Jair Bolsonaro criada por inteligência artificial. O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu limites para o uso de deepfakes nas eleições após questionamentos jurídicos.
Na reta final, a controvérsia sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida colocou o senador na defensiva. Apesar dos reveses, a candidatura manteve vantagem sobre outros nomes do mesmo campo político nas pesquisas, conforme a matéria. A avaliação de aliados é de que, em eventual segundo turno, Flávio poderá buscar o apoio de partidos do Centrão que não aderiram à sua chapa na primeira etapa da disputa.
Quem é quem
- Flávio Bolsonaro
- Político brasileiro do Partido Liberal e senador. Foi escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato à Presidência. Durante a campanha descrita, enfrentou crises políticas e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, acusações que nega.
- Jair Bolsonaro
- Político brasileiro e ex-presidente da República. Pai de Flávio Bolsonaro, escolheu o senador para disputar a Presidência. Na matéria, é descrito como cumprindo prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
- Supremo Tribunal Federal
- Corte máxima do Poder Judiciário brasileiro, responsável por julgar matérias constitucionais e processos de sua competência. O ministro André Mendonça foi indicado como relator do inquérito citado na notícia, que apura suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.