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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Museu Julio de Castilhos restaura nove canhões farroupilhas

As peças, algumas ligadas a Giuseppe Garibaldi, só poderão ser visitadas quando o museu de Porto Alegre reabrir, previsão para o segundo semestre de 2027.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Canhões históricos restaurados em novas bases de madeira no pátio do museu. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Canhões históricos restaurados em novas bases de madeira no pátio do museu.
Resumo em 30 segundos

Nove canhões de ferro usados na Revolução Farroupilha foram restaurados durante as obras do Museu de História Julio de Castilhos, em Porto Alegre. O trabalho artesanal durou quatro meses e incluiu limpeza e aplicação de azeite aquecido. O museu está fechado desde dezembro de 2024 e tem reabertura prevista para o segundo semestre de 2027.

Nove canhões de ferro usados na Revolução Farroupilha foram restaurados no Museu de História Julio de Castilhos, em Porto Alegre. O trabalho artesanal, feito ao longo de quatro meses, recuperou peças históricas que poderão ser vistas pelo público quando o museu reabrir, previsão que a direção situa no segundo semestre de 2027.

A restauração foi realizada pelo Studio1 Arquitetura e pelo restaurador Ricardo Cardoso, enquanto o prédio passa por obras. Os canhões estavam expostos sobre uma estrutura de tijolos e cimento no pátio. Para removê-los, foi montado um suporte metálico capaz de erguer peças cujo peso varia; a mais leve tem 1,2 tonelada.

Depois da limpeza, os restauradores aqueceram azeite de oliva com maçarico e aplicaram o produto sobre o ferro. Segundo a diretora do museu, Doris Couto, o procedimento forma uma película que ajuda a proteger as peças das condições climáticas. O arquiteto Lucas Volpatto, do Studio1, explicou que o aquecimento do ferro com gás e azeite também auxilia a retirar a ferrugem e revitalizar o metal oxidado.

Durante o trabalho, a equipe encontrou três balas ainda dentro dos canhões. A munição apresenta oxidação e ainda não foi restaurada. Os armamentos receberam também novas bases de madeira maciça. O tratamento foi feito de forma manual, com medições das peças e avaliação do grau de oxidação.

Três dos canhões têm ligação com as tropas do general Giuseppe Garibaldi, que lutou ao lado dos farroupilhas contra o Império do Brasil. Eles foram transportados em um lanchão sobre uma carreta por áreas alagadas até o Rio Capivari, em Capivari do Sul, e depois participaram de operações nas embarcações Seival e Farroupilha, na Lagoa dos Patos.

Para impedir que os canhões fossem capturados pelas forças imperiais, o comandante da esquadra ordenou que fossem lançados na foz do Arroio Santa Isabel, em Camaquã, segundo Doris. As peças ficaram enterradas até 1925, quando uma seca fez com que aparecessem. Depois de retirados, foram doados ao museu.

Os outros canhões foram encontrados em locais diferentes. Um estava no canal São Gonçalo, em Pelotas; outro, na Biblioteca Pública da cidade; e um terceiro foi localizado no Centro de Porto Alegre. As demais peças passaram pelo Forte de Caçapava do Sul, na Campanha.

O museu está fechado temporariamente desde dezembro de 2024, enquanto são feitas obras de recuperação. A primeira etapa, concentrada no telhado, terminou em março de 2025, com a preservação das telhas históricas. As intervenções atuais incluem salas internas; as etapas finais devem contemplar a instalação elétrica e a pintura.

O projeto também prevê um edifício de três andares para abrigar a reserva técnica, conjunto de peças que não fica em exposição. O espaço terá climatização permanente e permitirá liberar salas hoje usadas para guardar acervo, que poderão receber exposições. A direção também prepara a volta de uma pinacoteca com pinturas históricas restauradas, relacionadas aos períodos do Brasil Império e da República.

As obras são financiadas pelo governo estadual por meio do programa Avançar na Cultura e têm orçamento de cerca de R$ 11,5 milhões. Esse valor não inclui recursos para o novo projeto expográfico, que prevê o dobro de salas, nem para o mobiliário da reserva técnica.

Doris afirmou que preservar os canhões permite que novas gerações reflitam sobre a história e os efeitos da guerra e da paz. Para Volpatto, embora a equipe costume trabalhar com igrejas e objetos ligados ao universo religioso, a restauração dos armamentos foi conduzida pelo valor histórico e identitário das peças.

Para entender

Revolução Farroupilha
Conflito ocorrido no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845. Os farroupilhas rebelaram-se contra o Império do Brasil, em uma guerra que marcou a história e a identidade do estado.

Fontes: Zero Hora, O Globo

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