Thélyson Orélien nega uso de IA em romance e admite plágios
O escritor diz que usou ferramentas apenas para pesquisas; após reconhecer cópias em textos antigos, pediu desculpas e saiu da lista do Goncourt.
Resumo em 30 segundos
Thélyson Orélien negou ter usado inteligência artificial para escrever “C’était ça ou mourir”, romance sobre um haitiano que foge da violência e chega ao Canadá. O escritor reconheceu plágios em textos publicados no Canadá há mais de uma década e pediu desculpas. A Academia Goncourt retirou seu nome da lista de candidatos ao prêmio deste ano.
O escritor canadense e haitiano Thélyson Orélien negou nesta terça-feira (13) ter usado inteligência artificial para escrever seu romance “C’était ça ou mourir”, mas reconheceu ter plagiado textos de outros autores no passado e pediu desculpas. A controvérsia ocorre na França, onde o livro se tornou um fenômeno de vendas e Orélien chegou a ser candidato ao prêmio Goncourt, antes de ter seu nome retirado da lista da academia que concede a distinção.
Em uma declaração intitulada “Este romance que escrevi”, o autor afirmou que nenhuma frase do livro foi produzida por uma máquina. Ele disse ter recorrido a ferramentas para fazer pesquisas, mas classificou como falsa a acusação de que a obra teria sido escrita quase integralmente com IA.
A suspeita de uso de inteligência artificial surgiu após uma conta anônima na rede social X acusar Orélien de ter recorrido à tecnologia na elaboração do romance. O caso ganhou repercussão no meio literário francês e trouxe de volta o debate sobre o impacto da IA na produção e no mercado editorial.
O livro, cujo título significa “Era isso ou morrer”, acompanha Jonas Dorléon, um professor haitiano que foge da violência de gangues em seu país. Na narrativa em primeira pessoa, ele atravessa 12 países em uma jornada perigosa até chegar ao Canadá.
Orélien afirmou que começou a escrever a obra no outono de 2017, em Quebec, e concluiu o primeiro rascunho em 2019. Ele vive no Canadá desde 2010, depois de deixar o Haiti. O escritor tem 38 anos e também possui nacionalidade haitiana.
Além das acusações relacionadas ao romance, foram apontados plágios em textos publicados no Canadá há mais de uma década. Orélien reconheceu ter se apropriado de escritos de autores que admirava, dizendo que, quando tinha pouco mais de 20 anos, queria avançar rápido demais e ainda precisava aprender.
“Admirar não me autoriza a pegar, a atribuir a mim textos que não são meus”, afirmou. Ele classificou os episódios como erros inaceitáveis e declarou: “Lamento profundamente e peço desculpas”.
A Academia Goncourt retirou Orélien da lista de candidatos ao prêmio deste ano pouco depois de a controvérsia vir a público. O episódio reúne duas questões distintas: a autoria do romance, que o escritor reivindica como própria, e os plágios anteriores, que ele reconheceu.