Brasileiros vão mais a shows e atividades culturais presenciais
Pesquisa ouviu 2.448 pessoas em 137 municípios; participação em shows chegou a 51%, enquanto custo e insegurança foram os principais obstáculos.
Resumo em 30 segundos
A pesquisa Hábitos Culturais aponta que 88% dos entrevistados participaram de ao menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores, ante 84% em 2025. Shows tiveram a maior alta, chegando a 51%. O levantamento também mostra diferenças de acesso por renda e destaca custo e insegurança entre as barreiras à participação.
A participação em atividades culturais presenciais aumentou no Brasil neste ano: 88% dos entrevistados disseram ter ido a pelo menos uma delas nos 12 meses anteriores à pesquisa Hábitos Culturais, ante 84% em 2025. Shows de música foram a atividade que mais cresceu, alcançando 51% dos participantes, seis pontos percentuais acima do resultado do ano passado.
O levantamento foi realizado pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. Foram entrevistadas 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões, entre 7 e 20 de julho deste ano.
Além dos shows, subiram as visitas a centros culturais, de 26% para 32%; a exposições de arte, de 27% para 31%; e a museus, de 16% para 21%. Eventos ao ar livre foram frequentados por 63% dos entrevistados, enquanto festas populares, típicas e folclóricas reuniram 45%.
Cinema e espaços ligados ao patrimônio histórico tiveram, cada um, 39% de participação. Atividades infantis foram citadas por 37%. Nesta edição, a pesquisa incluiu pela primeira vez pontos de cultura e espaços comunitários, mencionados por 38%; rodas de samba, pagode ou choro, por 30%; e bailes funk, por 9%.
Os resultados também mostram diferenças de acesso por renda. Entre pessoas das classes A e B, 97% fizeram ao menos uma atividade cultural presencial no período, contra 82% nas classes D e E. No cinema, a proporção foi de 63% nas classes A e B e 18% nas D e E. A distância também aparece no teatro, com 41% e 17%, e nos museus, com 35% e 14%, respectivamente.
Um terço dos entrevistados afirmou que não há equipamentos culturais na região onde mora. Ainda assim, 40% disseram ter participado de atividades no próprio bairro ou perto de casa nos últimos 12 meses, seis pontos percentuais acima do registrado em 2024. Ruas e praças foram os locais mais citados, por 68%, seguidos de igrejas (61%) e parques (54%).
A escola aparece como possível espaço de ampliação do acesso: 72% afirmaram que participariam de mais atividades culturais se elas fossem realizadas com maior frequência nas escolas de seus bairros. O custo foi apontado como o principal obstáculo, por 35%; insegurança e violência vieram em seguida, com 30%, e falta de tempo, com 23%.
A preocupação com violência contra mulheres ou assédio em espaços culturais foi mencionada por 27%, ante 21% na edição anterior. O índice foi de 38% entre as mulheres e 14% entre os homens.
No consumo em casa ou pela internet, ouvir música on-line liderou, com 85%. Filmes em plataformas de streaming foram assistidos por 76%, e séries, por 73%. Livros impressos foram citados por 54% dos entrevistados.
Para entender
- Observatório Fundação Itaú
- Iniciativa da Fundação Itaú dedicada a pesquisas e informações sobre cultura. O levantamento Hábitos Culturais acompanha práticas culturais da população brasileira, incluindo atividades presenciais e consumo em casa ou pela internet.