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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Felipe Sousa-Lazaballet vence eleição e será deputado na Flórida

Com 62,41% dos votos no Distrito 42, na região de Orlando, ele será o primeiro brasileiro e o primeiro imigrante abertamente gay na Assembleia estadual.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: O Capitólio da Flórida em Tallahassee, sede do Legislativo estadual. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: O Capitólio da Flórida em Tallahassee, sede do Legislativo estadual.
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Felipe Sousa-Lazaballet foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando. Democrata, recebeu 62,41% dos votos e derrotou Bonnie Jackson. Brasileiro e imigrante, ele pretende priorizar moradia acessível, educação, saúde, meio ambiente e direitos civis.

Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando, na Flórida, na terça-feira (3). Com 49.752 votos, ou 62,41% dos votos válidos, ele será o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado e o primeiro imigrante que se declara gay a exercer o cargo.

Democrata, Sousa-Lazaballet derrotou a republicana Bonnie Jackson, que recebeu 37,59% dos votos. O mandato tem duração de dois anos. Ele foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida, que tem 120 cadeiras, em um estado onde os republicanos controlam a maioria do Legislativo.

Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele deixou o Brasil aos 14 anos e foi morar nos Estados Unidos. Filho de uma empregada doméstica cearense, cresceu em Santa Cruz da Serra, bairro que descreveu como um lugar com poucas oportunidades. Em entrevista, contou que a rua onde vivia tinha uma vala de esgoto aberta e não dispunha de asfalto nem de eletricidade.

Sousa-Lazaballet viveu mais de uma década sem documentação migratória regular. A situação, segundo ele, dificultou o acesso ao trabalho e à educação e fechou oportunidades. Ele estudou Relações Internacionais no Miami Dade College, instituição que, à época, aceitava inscrições de estudantes sem documentos.

Em 2010, participou de uma marcha a pé da Flórida a Washington para defender a legalização dos chamados dreamers, imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças. O movimento defendia jovens que poderiam se enquadrar no Daca, programa federal criado durante o governo de Barack Obama para oferecer proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes.

Sousa-Lazaballet disse que obteve permissão para trabalhar depois da mobilização e conseguiu a cidadania americana em 2021. A cidadania permitiu que concorresse a cargos eletivos. Antes da campanha, trabalhou por cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer, e se envolveu em movimentos de defesa de imigrantes e da comunidade LGBTQIA+.

O deputado eleito atribuiu a vitória ao contato direto com eleitores e ao descontentamento com as políticas do presidente Donald Trump. Segundo ele, a campanha visitou 42 mil casas e fez 20 mil ligações no fim de semana anterior à votação. Sousa-Lazaballet afirmou que a pauta migratória teve peso em Orlando, uma cidade diversa, onde, em sua avaliação, muitas pessoas conhecem alguém detido ou deportado.

Ele criticou a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e afirmou que as escolas públicas do condado de Orange perderam 5 mil alunos imigrantes ou filhos de imigrantes. Segundo o deputado eleito, alguns foram deportados e outros deixaram de frequentar as aulas porque as famílias têm medo.

A imigração é uma atribuição federal, mas Sousa-Lazaballet afirma que medidas estaduais também afetam os imigrantes. Ele citou uma lei aprovada na Flórida em 2025 que, segundo sua descrição, exige que forças policiais e governos municipais cooperem com o ICE. Para ele, essa atuação pode reduzir a confiança da população nas instituições e prejudicar também setores que dependem de trabalhadores imigrantes.

A agenda que pretende levar à Assembleia da Flórida se chama “Prosperando Juntos” e reúne cinco áreas: moradia acessível, educação pública, saúde, meio ambiente e direitos civis. O democrata promete defender inquilinos, enfrentar seguradoras de imóveis e buscar mais investimentos em infraestrutura para reduzir danos de enchentes associadas a furacões e outros eventos extremos. Também afirma que trabalhará pelos direitos de mulheres, pessoas negras e da comunidade LGBTQIA+.

Sousa-Lazaballet criticou ainda o abrigo dado pelos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições presidenciais brasileiras, que está no país desde 28 de outubro. “Não faz sentido nenhum para mim aceitar um político fugido do Brasil”, disse. Ele afirmou que os Estados Unidos não deveriam interferir no processo brasileiro enquanto deportam pessoas que, segundo ele, não cometeram crimes.

O eleito também vê a presença de brasileiros em cargos públicos nos Estados Unidos como uma oportunidade de aproximar os dois países. Disse que esses representantes podem atuar como “uma ponte econômica, social e cultural” e afirmou admirar a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), especialmente por combinar representação política e pautas voltadas à classe trabalhadora.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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