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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Felipe Sousa-Lazaballet é o primeiro brasileiro eleito na Flórida

O democrata derrotou Bonnie Jackson nas eleições de meio de mandato e conquistou uma cadeira na Câmara dos Representantes do estado americano.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Felipe Sousa-Lazaballet em um retrato em ambiente institucional. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Felipe Sousa-Lazaballet em um retrato em ambiente institucional.
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Nascido em Duque de Caxias, Felipe Sousa-Lazaballet foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida e se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira em um Legislativo estadual dos Estados Unidos. Filho de uma diarista, ele vendeu bolos na escola para comprar material de estudo e chegou a Miami aos 14 anos.

Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida e se tornou o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira em um Legislativo estadual dos Estados Unidos. O democrata derrotou a republicana Bonnie Jackson nas eleições de meio de mandato, encerradas na terça-feira, após uma trajetória que começou em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Filho de Francisca Neide Sousa, diarista que criou três filhos sozinha, Felipe aprendeu ainda criança a fazer bolos com a mãe e passou a vendê-los na escola. Com o dinheiro, comprava o material escolar que a família não conseguia pagar. “As dificuldades que a minha família sofreu me influenciam muito, mas também me fazem entender o quão difícil é viver como uma pessoa que trabalha muito, mas não consegue conquistar o mínimo para viver uma vida digna”, afirmou.

Aos 11 anos, quando estudava na Escola Municipal Rotary, em Santa Cruz da Serra, recebeu uma tarefa sobre a origem do samba. A professora indicou a Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, mas Francisca não tinha condições de acompanhá-lo. Ela explicou como chegar de ônibus, e Felipe fez sozinho o longo percurso para consultar livros e concluir a pesquisa.

Por volta dos oito anos, ele havia se mudado com a mãe para Santa Cruz da Serra. A casa ainda tinha chão de barro, e a família dependia de um poço porque não havia abastecimento de água na região. Enquanto Francisca trabalhava, o menino ajudava os pedreiros na construção da moradia.

Aos 14 anos, Felipe deixou o Brasil e foi sozinho para Miami, onde já vivia sua irmã mais velha. Chegou sem falar inglês e sem documentação migratória. Nos Estados Unidos, retomou os estudos e, depois de concluir o ensino médio, ingressou no Miami Dade College. Para pagar a faculdade, trabalhava à noite em um restaurante e enfrentava cerca de duas horas de transporte público entre casa e instituição.

A falta de documentação também restringiu o acesso a oportunidades de estudo e a serviços. O DACA, programa criado durante o governo de Barack Obama, ofereceu a Felipe proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho. Em 2020, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, já tinha obtido o green card por meio de uma petição familiar; no ano seguinte, tornou-se cidadão americano.

Antes da eleição, Felipe trabalhou por cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer, e atuou em organizações de defesa dos direitos de imigrantes e da comunidade LGBTQ+. Na campanha, defendeu pautas ligadas a esses grupos. Ele afirmou que pretende representar os moradores da Flórida e disse que não planeja voltar ao Brasil para fazer política: “Hoje meu lar é aqui nos Estados Unidos. Fiz um compromisso com 200 mil pessoas e agora vou procurar fazer com que elas se orgulhem do voto que me deram. Mais importante, quero que a vida delas melhore de verdade”.

Fontes: O Globo, Gazeta do Povo

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