Fed deve manter juros dos EUA, mas pausa pode ser breve
Mercado vê 90% de chance de manutenção em 27 e 28 de outubro, mas inflação e economia aquecida mantêm aberta a possibilidade de novas altas.
Resumo em 30 segundos
O Federal Reserve deve manter os juros entre 3,75% e 4% na reunião de 27 e 28 de outubro. Apesar da expectativa de pausa, inflação persistente, crescimento econômico e estabilidade do mercado de trabalho podem justificar novos aumentos. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro também pesa na decisão.
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, deve manter os juros entre 3,75% e 4% na reunião de 27 e 28 de outubro. Investidores, porém, avaliam que a pausa nos aumentos pode ser breve diante da inflação persistente e da força da economia americana. Até sexta-feira, contratos futuros indicavam 90% de probabilidade de manutenção da taxa, após uma redução das apostas em novos aumentos.
A decisão ocorre em meio a sinais de pressão sobre os preços e de atividade econômica aquecida. Relatórios do governo previstos para o dia seguinte à reunião devem mostrar que a inflação acelerou no mês passado e que o crescimento dos Estados Unidos avançou no último trimestre, apoiado por gastos dos consumidores e investimentos empresariais ligados à demanda por inteligência artificial.
O mercado de trabalho também tem apresentado estabilidade. A taxa de desemprego ficou em 4,2% no mês passado, e os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão em níveis inferiores aos observados em qualquer outro momento da gestão de Kevin Warsh à frente do Fed.
Para economistas, esses indicadores poderiam justificar uma nova alta dos juros. Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide, afirmou que os dados desde a última reunião apontam para uma economia forte, consumidores e mercado de trabalho sólidos e inflação em piora. Ela disse que, na avaliação dela, os números apoiam um aumento da taxa.
A expectativa de manutenção também é influenciada pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Nas semanas posteriores ao aumento dos juros pelo Fed em setembro, os rendimentos dos papéis de dez anos chegaram perto de níveis vistos pela última vez há cerca de 25 anos. Esse movimento poderia desacelerar a economia mais do que o banco central pretendia.
A alta levou autoridades do Fed, entre elas John Williams, presidente da unidade de Nova York, e Philip Jefferson, vice-presidente da instituição, a sinalizar que o banco central pode esperar por mais dados antes de decidir os próximos passos. Com isso, o mercado reduziu as apostas em uma elevação imediata, embora a inflação e a atividade econômica mantenham em aberto a possibilidade de novos aumentos.
A taxa básica definida pelo Fed influencia o custo do crédito e as condições financeiras nos Estados Unidos. Em geral, juros mais altos encarecem empréstimos e ajudam a conter a demanda e a inflação, mas também podem frear o crescimento. A reunião de outubro, portanto, deve ser acompanhada pela comunicação dos dirigentes sobre quanto tempo a pausa poderá durar e quais indicadores orientarão a decisão seguinte.
Para entender
- Treasuries
- São títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos. Seus rendimentos podem influenciar os custos de empréstimos e as condições financeiras no país. Quando sobem, podem desacelerar a atividade econômica, mesmo sem uma mudança imediata na taxa básica definida pelo Federal Reserve.