Justiça leva acusada de feminicídio em Ijuí a julgamento pelo júri
A decisão de pronúncia encerra a primeira etapa do processo, mas não representa condenação; a defesa pode recorrer e ainda não há data para o júri.
Resumo em 30 segundos
A acusada de matar Miriane Lacerda Vieira, de 24 anos, será julgada pelo Tribunal do Júri por feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com a qualificadora de meio cruel. Ela permanece presa preventivamente em Ijuí. A defesa pode recorrer da pronúncia, e o julgamento ainda não tem data marcada.
Uma mulher acusada de matar a companheira Miriane Lacerda Vieira, de 24 anos, em Ijuí, no noroeste do Rio Grande do Sul, será julgada pelo Tribunal do Júri por feminicídio. A decisão de pronúncia foi tomada pelo juiz Eduardo Giovelli, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ijuí, e publicada nesta sexta-feira (16). Ainda não há data marcada para o julgamento.
A pronúncia é a decisão que encerra a primeira etapa do processo e encaminha o caso aos jurados quando o juiz considera comprovada a ocorrência do crime e suficientes os indícios de autoria. A defesa pode recorrer. A acusada responderá por feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, com a qualificadora de meio cruel, e continuará presa preventivamente na Penitenciária Modulada de Ijuí até o júri.
O crime ocorreu em 23 de fevereiro de 2026, no apartamento onde o casal morava, no bairro São Geraldo. Segundo a denúncia do Ministério Público, a acusada desferiu diversos golpes de faca contra Miriane, que morreu no local. A Polícia Civil investigou o caso como feminicídio desde o início.
Na época, a suspeita tinha 29 anos. Depois do ataque, ela teria tentado tirar a própria vida e foi levada ao Hospital de Clínicas de Ijuí, onde ficou internada sob custódia policial. A denúncia sustenta que o crime ocorreu no contexto da relação entre as duas; a decisão agora leva a acusação para análise dos jurados, mas não representa uma condenação.
Não havia registros anteriores de ocorrências policiais nem medida protetiva envolvendo o casal. Familiares, porém, relataram que a relação passava por desgaste e conflitos frequentes. O pai de Miriane, Olmiro Vieira Filho, disse que a filha havia manifestado, poucos dias antes, a intenção de terminar o relacionamento.
Segundo o pai, durante um encontro em família em Passo Fundo, Miriane contou que pretendia deixar a companheira quando voltasse para Ijuí. Natural de Arroio do Tigre e criada em Lagoão, no Vale do Rio Pardo, ela era descrita pela família como dedicada ao trabalho e interessada em crescer profissionalmente.