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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Exército de Israel encerra cerco a Hebron após dez dias

A retirada começou de madrugada, e moradores voltaram para casa; a operação começou após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Família volta a uma rua residencial de Hebron, entre casas de pedra, após o fim do cerco. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Família volta a uma rua residencial de Hebron, entre casas de pedra, após o fim do cerco.
Resumo em 30 segundos

O Exército de Israel retirou suas tropas de Hebron após dez dias de operação, e moradores começaram a voltar para casa. O cerco começou depois que um ataque a tiros matou dois soldados israelenses. A operação afetou milhares de palestinos, fechou lojas e interrompeu aulas e serviços na cidade.

O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (2) que encerrou o cerco a Hebron, cidade palestina na Cisjordânia ocupada, e retirou todos os seus soldados após dez dias de operação. O governador da região, Khaled Dudin, também comunicou o fim do cerco; moradores começaram a voltar para casa depois da retirada, iniciada durante a madrugada, no horário local.

A operação começou em 23 de outubro, após um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses e feriu outros três. Segundo as informações divulgadas, os dois palestinos apontados como autores do ataque foram mortos pelas forças israelenses. Durante a incursão, as casas dos dois homens foram demolidas.

As estimativas sobre o impacto do cerco divergem. Uma delas aponta que mais de 3.000 palestinos, de quase 500 famílias, tiveram de deixar suas casas ou foram afetados pela operação; outra calcula 3.300 pessoas de 537 famílias. O governadorado informou que 15 casas e outras estruturas foram demolidas, além das residências dos dois autores do ataque.

O comandante militar israelense afirmou que as forças apreenderam quatro armas e vários coletes à prova de balas. Moradores que retornaram encontraram casas reviradas, com móveis e roupas espalhados. Um comerciante disse que soldados usaram sua residência como base; cruzes pintadas nas fachadas indicavam imóveis revistados pelas tropas.

O prefeito de Hebron, Youssef al-Jaabari, disse que a administração municipal foi informada da retirada às 6h, no horário local. Ele afirmou que as escolas e as cinco universidades da cidade ficaram fechadas durante o cerco. Segundo o governador, forças palestinas de segurança assumiram o controle da área e as autoridades acompanhavam a situação para viabilizar o retorno seguro dos moradores.

O bloqueio também interrompeu atividades econômicas e serviços. Segundo estimativas divulgadas durante a operação, ao menos 317 lojas fecharam, enquanto postos de controle suspensos em outras partes do governadorado afetaram cerca de 800 mil pessoas. Hebron é a segunda maior cidade dos Territórios Palestinos, depois de Gaza, e abriga o Túmulo dos Patriarcas, local sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos.

A incursão foi criticada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e pelo alto-comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk. Guterres alertou para o risco de “limpeza étnica” na Cisjordânia e pediu o fim do que chamou de ambiente cada vez mais coercitivo.

Para entender

Cisjordânia
Território palestino situado a oeste do rio Jordão, no Oriente Médio. Israel ocupa a região desde 1967. A Cisjordânia tem cidades palestinas, assentamentos israelenses e áreas sob diferentes níveis de administração e controle.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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