Évora instala 36 soluções do Pocityf em prédios históricos
As tecnologias incluem vidros e telhas fotovoltaicas, que geram eletricidade sem mudar a aparência de edifícios protegidos pelo patrimônio histórico.
Resumo em 30 segundos
Évora instalou 36 soluções de eficiência energética e geração solar em edifícios históricos, como a Câmara Municipal e o Mercado. Entre elas estão vidros fotovoltaicos em claraboias e telhas que produzem energia sem alterar o aspecto dos imóveis. Os resultados integram o projeto europeu Pocityf, que também envolve Alkmaar, na Holanda.
Évora, cidade histórica de Portugal, instalou 36 soluções de eficiência energética e geração solar em edifícios protegidos, sem alterar suas fachadas ou estruturas. As intervenções integram o projeto europeu Pocityf, criado em 2019 para testar formas de tornar cidades mais sustentáveis e preservar o patrimônio histórico; os primeiros resultados do município foram apresentados agora.
A iniciativa da União Europeia recebeu investimento de 20 milhões de euros, cerca de R$ 120 milhões. Évora e Alkmaar, na Holanda, foram escolhidas como cidades-guia para experimentar as soluções. Seis cidades-observadoras, entre elas Granada, na Espanha, e Bari, na Itália, poderão aproveitar a experiência.
O desafio é conciliar a instalação de tecnologias como painéis solares com regras de proteção que limitam mudanças em imóveis históricos. Em Évora, as normas impedem alterações nas fachadas e a colocação de painéis convencionais sobre telhados. O Pocityf desenvolveu alternativas que permitem produzir energia sem modificar a aparência dos edifícios.
Uma delas está na Câmara Municipal, edifício do século 16 que funciona como prefeitura. Vidros fotovoltaicos — materiais que captam a luz solar e a convertem em eletricidade — foram instalados no pátio central, formando uma claraboia. Fabricados sob medida em silício amorfo, eles preservam a iluminação e a estrutura do local, que também abriga ruínas romanas.
O edifício foi construído quando Évora vivia um período de destaque. A cidade, na região do Alentejo, chegou a receber um complexo palaciano construído pelo rei D. Manuel I. O prédio atual da Câmara ocupa o antigo Palácio dos Duques de Sortelha, uma residência nobre organizada em torno de um pátio.
A mesma tecnologia foi aplicada no Mercado Municipal, construído em 1880 para reunir comerciantes que vendiam em diferentes pontos da cidade. A estrutura de ferro e vidro, característica da arquitetura do fim do século 19, permitiu integrar a claraboia fotovoltaica ao edifício sem mudar seu desenho.
Outra solução testada na Câmara Municipal são telhas fotovoltaicas, que substituem materiais convencionais e geram energia sem alterar o aspecto do telhado. João Cravinho, coordenador do Pocityf, afirmou que proprietários de imóveis privados já demonstraram interesse pelo material. Segundo ele, a tecnologia pode viabilizar reformas em edifícios protegidos e ajudar a reduzir gastos com eletricidade.
Telhas e vidros também passaram a ser usados em coberturas que conectam prédios históricos e fornecem energia às edificações. O projeto inclui ainda estacionamentos com coberturas solares, mais pontos de recarga para carros elétricos e medidas para reduzir as emissões do transporte coletivo.
Na apresentação dos resultados iniciais, Cravinho afirmou que Évora e Alkmaar ampliaram juntas em 100 megawatts a geração fotovoltaica e reduziram em 35% as emissões de carbono, sem modificar o visual dos imóveis históricos. O projeto também busca envolver os moradores e estimular um mercado de equipamentos de energia sustentável adaptados a cidades antigas.
Évora é reconhecida pela concentração de vestígios de diferentes períodos históricos. A cidade integra o patrimônio mundial da Unesco desde 1986, e as restrições de preservação tornam o município um campo de teste para tecnologias que possam ser reproduzidas em outros locais com regras semelhantes.
Para entender
- Pocityf
- Projeto de inovação urbana da União Europeia criado para testar soluções que ajudem cidades a produzir energia e reduzir emissões, preservando o patrimônio histórico. Évora, em Portugal, e Alkmaar, na Holanda, foram escolhidas para testar as tecnologias; outras cidades acompanham a experiência.