União Europeia propõe ampliar a Frontex e atuar em hubs de retorno
O plano prevê chegar a 30 mil agentes em 15 anos, incluindo 17 mil reservistas, e ainda depende de aval do Parlamento Europeu e dos países do bloco.
Resumo em 30 segundos
A proposta da União Europeia prevê ampliar gradualmente o efetivo da Frontex até 30 mil agentes nos próximos 15 anos e permitir que a agência atue em hubs de retorno de migrantes expulsos. A mudança ainda precisa ser aprovada pelos Estados-membros e pelo Parlamento Europeu e recebeu críticas de partidos de esquerda e organizações não governamentais.
A União Europeia propôs nesta terça-feira (27) ampliar o efetivo e os poderes da Frontex, agência responsável por apoiar o controle das fronteiras externas do bloco. O plano prevê que a estrutura possa participar da gestão de centros de retorno de migrantes expulsos, conhecidos como “hubs de retorno”, cuja abertura está prevista para os próximos meses.
A proposta estabelece um aumento gradual do número de agentes ao longo dos próximos 15 anos, até chegar a 30 mil. Desse total, 17 mil seriam reservistas. A Frontex já tem uma meta de cerca de 10 mil guardas de fronteira até 2027, definida em uma reforma iniciada após a crise migratória de 2015.
Criada em 2004, a agência auxilia países da União Europeia e do espaço Schengen — área de livre circulação entre países europeus — na proteção das fronteiras externas. A mudança busca torná-la mais rápida para agir em situações de crise. Em julho de 2026, milhares de migrantes entraram sem autorização em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, e a agência demorou a se mobilizar.
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, também quer que a Frontex possa atuar nos futuros hubs de retorno. O primeiro centro deverá ser instalado em Ruanda, segundo fontes citadas na proposta. Esses espaços são destinados a migrantes que serão expulsos da Europa; a iniciativa integra a política do bloco para organizar os procedimentos de retorno fora de seu território.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu o reforço da agência. “Cabe à Europa decidir quem entra em nossa União e em quais circunstâncias. Por essa razão, propomos reforçar a Frontex”, afirmou em comunicado.
A proposta ainda precisa receber aprovação dos Estados-membros e do Parlamento Europeu para entrar em vigor. O plano provocou críticas de partidos de esquerda e de organizações não governamentais, que já acusam a Frontex de realizar expulsões ilegais de migrantes.
A eurodeputada ecologista Mélissa Camara criticou a resposta proposta pelo bloco diante das tragédias envolvendo migrantes. “Diante da multiplicação de tragédias humanas, a resposta é sempre a mesma: mais repressão, mais desumanização das pessoas exiladas, mais imitação dos discursos da extrema direita”, disse.