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Segunda-feira, 12 de outubro de 2026

El Niño bate recorde de temperatura no Pacífico em setembro

A região Niño 3.4 chegou a 29,70 °C antes do pico previsto do fenômeno, que pode contribuir para recordes globais de calor em 2026 ou 2027.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Superfície do Pacífico tropical sob sol forte, com um navio de pesquisa ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Superfície do Pacífico tropical sob sol forte, com um navio de pesquisa ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A temperatura da superfície do mar na área Niño 3.4, no Pacífico tropical, atingiu 29,70 °C em setembro, um recorde para a região. O Copernicus afirma que o episódio é excepcional, mas ainda não supera os anteriores por um índice que considera o aquecimento dos oceanos. O fenômeno pode contribuir para que 2026 ou 2027 seja o ano mais quente já registrado.

O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus informou que a temperatura da superfície do mar em uma área de monitoramento do El Niño no Pacífico chegou a 29,70 °C em setembro, a maior marca já registrada ali. O recorde foi alcançado antes do pico previsto do fenômeno, que começou em junho e pode contribuir para que 2026 ou 2027 se torne o ano mais quente já observado no planeta.

A área monitorada, chamada Niño 3.4, fica no Pacífico tropical e é usada para acompanhar as condições do El Niño. A temperatura registrada superou os picos de eventos anteriores em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, segundo o Copernicus. O serviço europeu ressalva, porém, que comparações entre episódios são afetadas pelo aquecimento dos oceanos ao longo das últimas décadas.

O El Niño é um fenômeno climático natural que eleva temporariamente a temperatura das águas superficiais do Pacífico tropical. Essa alteração modifica padrões de circulação atmosférica e pode aumentar o risco de secas e inundações em diferentes regiões. O efeito também se soma ao aquecimento de longo prazo causado pela emissão humana de gases de efeito estufa.

O diretor do Copernicus, Carlo Buontempo, afirmou que o episódio atual é “muito excepcional”, mas disse que ainda é cedo para concluir que seja o mais forte já registrado. O serviço adotou um índice que considera o aquecimento dos oceanos tropicais e, por esse critério, o evento ainda não supera os anteriores. Buontempo o descreveu como um fenômeno de grande magnitude ocorrendo em um clima mais quente.

As avaliações internacionais não são unânimes. Na sexta-feira, a agência meteorológica do Japão afirmou que as condições do El Niño haviam alcançado a intensidade mais forte já registrada. As diferenças refletem, em parte, as escalas e os métodos usados para medir o fenômeno.

O Copernicus também registrou em setembro uma média global de 21,05 °C na superfície do mar, acima do recorde anterior para o mês, de 20,92 °C, estabelecido em 2023. A temperatura média do ar na superfície foi de 16,27 °C, tornando setembro o segundo mais quente já observado, após um agosto recordista. O mês ficou 1,63 °C acima da média pré-industrial, calculada para o período de 1850 a 1900.

Segundo Buontempo, as temperaturas devem continuar 1,5 °C acima do nível pré-industrial até o início do próximo ano. Esse limite é uma referência do Acordo de Paris, firmado em 2015, no qual os países concordaram em manter o aquecimento global bem abaixo de 2 °C e buscar esforços para limitá-lo a 1,5 °C. A ultrapassagem temporária desse patamar em medições mensais não significa, por si só, que a meta de longo prazo tenha sido formalmente superada.

O El Niño costuma ocorrer a cada dois a sete anos e durar de nove a 12 meses. Seus efeitos sobre a temperatura global podem se intensificar no ano seguinte ao pico, quando parte do calor acumulado no oceano é transferida para a atmosfera. Por isso, especialistas avaliam que 2027 pode ser especialmente quente; Buontempo disse que 2026 também poderá terminar com recordes, caso o padrão observado em episódios anteriores se repita.

O El Niño anterior contribuiu para que 2024 fosse o ano mais quente do registro histórico, afirmou Buontempo. Ele ressaltou, contudo, que a principal causa do aumento persistente das temperaturas é a emissão de gases de efeito estufa gerada por atividades humanas. Reduzir essas emissões, sobretudo as provenientes de combustíveis fósseis, é considerado essencial para limitar o aquecimento e a duração de períodos acima de 1,5 °C.

Para entender

Niño 3.4
Região do Pacífico tropical usada para acompanhar as condições do El Niño. As temperaturas do mar nessa área ajudam a caracterizar o fenômeno, embora diferentes índices e métodos possam produzir avaliações distintas sobre sua intensidade.
Acordo de Paris
Tratado internacional adotado em 2015 para enfrentar a mudança do clima. Seus países signatários concordaram em manter o aquecimento global bem abaixo de 2 °C em relação ao período pré-industrial e em buscar esforços para limitá-lo a 1,5 °C.

Fontes: Estadão

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