Estudo encontra menopausa registrada em só 12% dos prontuários
A análise avaliou quase 240 mil mulheres nos EUA; mais da metade relatou estar na transição, mas idade de início e sintomas também raramente apareciam nos dados.
Resumo em 30 segundos
Uma análise de prontuários de quase 240 mil mulheres nos Estados Unidos encontrou registro de menopausa em apenas 12% dos casos, embora mais da metade das participantes tenha relatado a transição em questionários. Idade de início e sintomas também eram pouco documentados. Pesquisadores defendem registros mais completos para apoiar o atendimento e estudos sobre saúde feminina.
Uma análise de prontuários eletrônicos de quase 240 mil mulheres nos Estados Unidos identificou que apenas 12% registravam a menopausa, embora mais da metade das participantes tivesse informado em questionários que passava por essa transição. O estudo, publicado na revista Menopause, aponta uma lacuna na documentação de informações sobre a saúde feminina e destaca que o registro pode ser relevante para o atendimento e para pesquisas sobre riscos futuros.
As participantes integram o All of Us Research Program, iniciativa dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos que reúne dados de saúde para estudar ao menos 1 milhão de americanos. Os pesquisadores compararam informações relatadas pelas mulheres ao ingressar no programa com os dados disponíveis em seus prontuários eletrônicos e observaram que a condição menopausal aparecia com pouca frequência nos registros.
A idade em que a menopausa ocorreu e sintomas como ondas de calor e alterações do sono também estavam amplamente ausentes tanto dos prontuários quanto dos questionários. A falta de dados impede que profissionais e pesquisadores acompanhem de forma mais precisa como a transição afeta diferentes mulheres, segundo os autores da análise.
A menopausa é uma etapa natural da vida de pessoas que têm ovários, mas a experiência varia. Algumas mulheres enfrentam sintomas intensos, como ondas de calor, problemas de sono e névoa mental; outras têm poucos ou nenhum desses sinais. O início também pode ocorrer em idades diferentes: o estudo cita 45 e 54 anos como exemplos de momentos considerados dentro da faixa normal.
Conhecer quando a menopausa começa pode ajudar a contextualizar a saúde presente e futura. A transição pode influenciar fatores associados a doenças cardiovasculares, à saúde dos ossos e à saúde mental. A análise não afirma que todas as mulheres terão os mesmos efeitos, mas destaca que dados consistentes poderiam permitir investigar diferenças entre trajetórias e identificar como os sintomas mudam ao longo do tempo.
Os prontuários eletrônicos podem reunir informações clínicas de grandes grupos e, assim, servir de base para pesquisas em escala ampla. Com registros mais completos, seria possível estudar, por exemplo, a relação entre menopausa e indicadores de saúde cardíaca ou óssea, além de investigar como fatores sociais e o acesso a serviços de saúde se relacionam com as experiências das pacientes.
Os motivos para a baixa frequência de registros não foram determinados. Uma possibilidade é que, por não ser uma doença, a menopausa não seja considerada pelos profissionais como algo que precisa ser inserido no prontuário por meio de um código diagnóstico. Outra é que pacientes não mencionem o assunto quando os sintomas não são intensos. Mesmo quando profissionais perguntam sobre saúde reprodutiva, como a data da última menstruação, a informação pode não ser registrada eletronicamente.
A equipe responsável pelo estudo está desenvolvendo um questionário curto para que pacientes informem sua condição menopausal e seus sintomas durante o check-in de consultas. A proposta é incluir as respostas nos prontuários, onde poderiam ser consultadas por equipes de saúde e usadas em pesquisas.
Os pesquisadores também trabalham em uma abordagem computacional para estimar informações sobre a menopausa a partir de outros dados do prontuário ou do perfil genético. Além disso, pretendem examinar o banco do All of Us para identificar diferenças nos registros relacionadas a fatores como origem cultural, renda, práticas dos serviços de saúde e contexto urbano ou rural. A identificação dessas associações poderia ajudar a orientar medidas para ampliar a coleta de informações.