Estudo aponta ultrapassagens perigosas e poluição para ciclistas em SP
A distância média entre veículos e ciclistas foi de 1,08 metro; em trechos da marginal Pinheiros, a exposição à poluição ficou acima da média municipal.
Resumo em 30 segundos
Levantamento do Instituto Cordial monitorou mais de 10 mil quilômetros percorridos por ciclistas em São Paulo entre setembro de 2025 e março de 2026. Três em cada quatro ultrapassagens ocorreram a menos de 1,5 metro. O estudo também registrou maior exposição à poluição em regiões da capital, com ressalvas sobre o alcance dos dados.
Um estudo do Instituto Cordial aponta que três em cada quatro ultrapassagens de ciclistas por veículos em São Paulo ocorrem a menos de 1,5 metro, distância mínima prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A pesquisa também identificou maior exposição à poluição em trechos da ciclovia da marginal Pinheiros e registrou uma distância média de apenas 55 centímetros na zona leste.
Na capital, a distância média entre veículos e ciclistas nas ultrapassagens monitoradas foi de 1,08 metro. O levantamento foi feito a pedido do Itaú Unibanco e acompanhou condições de segurança e ambientais enfrentadas por quem pedala. Entre setembro de 2025 e março de 2026, os participantes percorreram mais de 10 mil quilômetros por ruas, avenidas, ciclovias e ciclofaixas, com equipamentos dotados de sensores e inteligência artificial.
Os resultados correspondem aos percursos analisados e não representam necessariamente toda a infraestrutura cicloviária da cidade. As medições também não diferenciaram horários. O indicador de poluição é relativo à exposição ambiental e não calcula a quantidade de poluentes inalada por cada ciclista.
A pesquisa constatou que, em Pinheiros e Alto de Pinheiros, na zona oeste, a exposição indicada chega a ficar 163% acima da média municipal. Considerando toda a extensão da ciclovia da marginal Pinheiros analisada, o indicador é 22% superior ao registrado no restante da cidade. Na região central, a medida supera a média em 56%, o maior resultado entre as regiões avaliadas. Também foram apontados níveis elevados na zona norte e em áreas periféricas da zona leste.
O estudo considera partículas suspensas no ar e atribui peso maior às menores, que podem penetrar mais profundamente nos pulmões. A escala foi construída com base nos limites de segurança da Organização Mundial da Saúde. Segundo o Instituto Cordial, a vegetação entre a ciclovia da marginal e as pistas de automóveis não impede que partículas emitidas pelos motores cheguem a quem pedala.
“Temos um problema que precisa ser tratado de forma integrada. Mobilidade ativa, desenho urbano, qualidade do ar e redução das emissões precisam fazer parte do mesmo planejamento”, afirmou Luís Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do instituto e responsável pela pesquisa. Ele também defendeu infraestrutura que proteja ciclistas, como faixas de recuo e ciclovias bem desenhadas, além de fiscalização da distância mínima de ultrapassagem.
Outro resultado indica que a velocidade dos ciclistas é cerca de 18% maior em locais com estruturas dedicadas, como ciclovias e ciclofaixas. O levantamento ocorre em meio à alta de mortes de ciclistas na cidade: nos nove primeiros meses deste ano, foram 26 óbitos, contra 22 no mesmo período de 2025, aumento de 18%, segundo o Infosiga, sistema estadual de dados sobre ocorrências no trânsito. No conjunto de todos os modais, as mortes cresceram 1,5% no intervalo.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que São Paulo tem 795,5 quilômetros de malha cicloviária e que a meta municipal é chegar a mil quilômetros até 2028. Desde 2021, foram implantados 143,07 quilômetros e requalificados 357,05 quilômetros, segundo a prefeitura. A administração afirma que a expansão e a conexão entre trechos buscam aumentar a segurança dos ciclistas.
A prefeitura também informou que agentes de trânsito, com apoio da Guarda Civil Metropolitana, fiscalizam a circulação de bicicletas, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos nas ciclovias. As ações ocorrem em locais diferentes, em sistema de rodízio. O município diz ainda oferecer o curso Pedalar com Segurança, com aulas teóricas e práticas no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito.
Para entender
- Código de Trânsito Brasileiro
- Lei federal que reúne regras para o trânsito no Brasil. O artigo 201 prevê que motoristas mantenham distância lateral de pelo menos 1,5 metro ao passar ou ultrapassar uma bicicleta.