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Domingo, 4 de outubro de 2026

Empresários argentinos avaliam impacto da eleição no comércio bilateral

No Coloquio IDEA 2026, executivos destacaram a previsibilidade econômica e os US$ 31,2 bilhões do comércio entre Brasil e Argentina em 2025.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Executivos conversam em um encontro empresarial com vista para a costa de Mar del Plata. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Executivos conversam em um encontro empresarial com vista para a costa de Mar del Plata.
Resumo em 30 segundos

Empresários argentinos reunidos no Coloquio IDEA discutiram como uma eventual vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro pode afetar comércio, investimentos e relações políticas com o Brasil. A preocupação central foi a estabilidade econômica. Brasil e Argentina movimentaram US$ 31,2 bilhões em comércio de bens em 2025, o maior valor desde 2013.

A eleição presidencial brasileira entrou nas conversas de empresários argentinos reunidos nesta semana no Coloquio IDEA, em Mar del Plata, na Argentina. Executivos avaliaram como uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de Flávio Bolsonaro (PL) poderia afetar o comércio, os investimentos e a relação entre os dois países, mas apontaram a previsibilidade econômica como preocupação central.

O encontro anual, realizado a cerca de 400 quilômetros de Buenos Aires, tratou oficialmente dos desafios políticos e econômicos da Argentina. À margem dos painéis, participantes discutiram o pleito brasileiro e seus possíveis efeitos sobre empresas que operam nos dois mercados ou dependem das exportações para o Brasil.

Fabián Kon, presidente do 62º Coloquio IDEA e CEO do Grupo Galicia, defendeu a cooperação entre os países, independentemente de quem vença a eleição. “Nossa mensagem é que tem de haver cooperação. Não é olhar o resultado desta eleição, mas olhar para a estabilidade e construir alianças independentemente dos presidentes eleitos”, afirmou.

Kon disse que indústrias e acordos mantêm suas atividades ao longo de diferentes governos e destacou a tradição de cooperação entre os dois países. Ele também citou a manutenção das reservas internacionais brasileiras e o cumprimento de contratos e marcos regulatórios como elementos importantes para a estabilidade das relações econômicas.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e o maior destino das exportações argentinas em 2025. Naquele ano, o comércio bilateral de bens somou US$ 31,2 bilhões: a Argentina exportou US$ 12,8 bilhões ao Brasil e importou US$ 18,4 bilhões. O valor total foi o maior desde 2013.

A dimensão desse intercâmbio explica o interesse empresarial na eleição. Diego Guelar, ex-embaixador argentino em Brasília, disse que o melhor cenário para seu país é um Brasil estável e em bom funcionamento. Para ele, o desempenho econômico brasileiro também importa porque influencia a demanda por produtos argentinos.

Uma vitória de Lula manteria no poder um presidente favorável à integração regional e ao fortalecimento do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A continuidade, no entanto, ocorreria em meio às divergências públicas entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei, cuja relação política passou por um período de tensão.

Já uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar politicamente Buenos Aires e Brasília, pois Milei declarou apoio ao candidato. Empresários ouvidos no ambiente do colóquio ponderaram, porém, que a proximidade ideológica não permite prever, por si só, os efeitos sobre os negócios. As empresas também precisariam observar as prioridades econômicas do eventual governo e sua posição sobre comércio e Mercosul.

Alejandro Díaz, CEO da Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina (AmCham), avaliou que uma mudança de governo no Brasil não significaria necessariamente uma ruptura na condução econômica. Segundo ele, empresas brasileiras já têm projetos definidos, e as diferenças entre os dois candidatos não seriam substanciais no campo econômico.

As cadeias produtivas integradas tornam decisões brasileiras relevantes para a indústria argentina. No setor automotivo, montadoras e fornecedores distribuem a produção e os componentes entre os dois países. Alterações nas regras ou na demanda podem afetar diretamente as empresas dos dois lados da fronteira.

A energia também está entre os pontos acompanhados pelo empresariado. Há negociações para ampliar as exportações de gás natural produzido em Vaca Muerta, na Argentina, para o mercado brasileiro. Mudanças cambiais ou de política industrial no Brasil também podem modificar a competitividade de produtos e empresas argentinas.

Guelar apontou a governabilidade e a confiança dos investidores como questões a observar caso Flávio vença. “É difícil saber se o filho de Bolsonaro poderá resolver problemas de governabilidade, tendo o pai preso, um irmão exilado, uma madrasta com espaço político próprio”, disse.

Para os empresários reunidos em Mar del Plata, o desafio após a eleição será avaliar se o novo governo brasileiro preservará condições estáveis para o comércio e os investimentos e se os dois países conseguirão manter a agenda econômica apesar de eventuais diferenças políticas. O resultado pode mudar o ambiente em que as empresas atuam, mas o comércio bilateral também se apoia em regras do Mercosul, cadeias industriais integradas e investimentos construídos ao longo de décadas.

Para entender

Coloquio IDEA
Encontro anual realizado na Argentina que reúne empresários, executivos e representantes de outros setores para discutir desafios econômicos e políticos do país. O evento é organizado pelo Instituto para o Desenvolvimento Empresarial da Argentina, conhecido pela sigla IDEA.
Mercosul
Bloco de integração econômica criado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Seus acordos estabelecem regras para o comércio entre os integrantes e formam parte do contexto das relações econômicas entre os países.
Vaca Muerta
Formação geológica na Argentina que contém grandes reservas de gás natural e petróleo não convencional. Sua produção é relevante para os planos argentinos de ampliar a oferta de energia e as exportações, inclusive para o Brasil.

Fontes: Valor Econômico, O Globo

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