Eleitores dos EUA aprovam restrições ao voto e a esportes femininos
Resultados também dividiram os estados sobre o aborto: Virgínia e Nevada incluíram o direito em suas constituições, enquanto Idaho e Missouri rejeitaram medidas de proteção.
Resumo em 30 segundos
Eleitores de vários estados aprovaram medidas sobre cidadania e identificação para votar, além de restrições à participação de pessoas trans em esportes femininos e ao uso de vestiários. Também houve decisões divergentes sobre o aborto. Uma proposta semelhante sobre esportes em Washington e outra sobre procedimentos médicos no Colorado ainda estavam indefinidas na manhã de quarta-feira.
Eleitores de vários estados dos Estados Unidos aprovaram, na terça-feira, medidas que restringem o voto de não cidadãos, reforçam a exigência de identificação eleitoral ou limitam a participação de pessoas transgênero em esportes femininos. As decisões ocorreram na mesma noite em que democratas avançaram em disputas eleitorais e eleitores de alguns estados ampliaram a proteção ao aborto.
No Alasca, 69% votaram a favor de uma medida para assegurar que apenas cidadãos possam votar. No Kansas, a proposta recebeu 63% de apoio, apesar de o estado ter elegido uma democrata para uma vaga no Senado. Arkansas e Dakota do Sul aprovaram leis para impedir que não cidadãos votem em eleições locais, e a Virgínia Ocidental incluiu a regra na constituição estadual.
A identificação de eleitores também foi reforçada em diferentes lugares. Carolina do Norte e Ohio aprovaram emendas constitucionais sobre o tema, com 60% e 66% dos votos, respectivamente. Em Nevada, uma medida para exigir documento de identificação recebeu 62% de apoio.
Os resultados foram diferentes em outros estados. Na Califórnia, 60% rejeitaram uma lei de identificação eleitoral. O Arizona também barrou uma proposta ampla de reforma que previa exigências de cidadania e identificação na constituição estadual. No Colorado, 64% votaram contra a extensão da identificação às eleições por correio.
Medidas relativas a esportes escolares e espaços privados também foram aprovadas. Em Nebraska, 68% apoiaram a proibição de que pessoas do sexo masculino participem de equipes esportivas femininas nas escolas. No Arizona, 58% aprovaram regras para que equipes esportivas e vestiários sejam organizados de acordo com o sexo biológico.
Em Washington, uma proposta semelhante tinha 57% de apoio na manhã de quarta-feira, mas a apuração ainda não havia sido concluída. No Colorado, também permanecia indefinida uma medida que proibiria profissionais de saúde de realizar cirurgias em menores de 18 anos como resposta à percepção da criança ou do adolescente sobre seu sexo ou gênero.
As propostas sobre aborto tiveram resultados distintos. Eleitores da Virgínia e de Nevada incorporaram o direito ao aborto às constituições estaduais, enquanto Idaho e Missouri rejeitaram medidas para protegê-lo. A aprovação de medidas estaduais não altera por si só as regras dos demais estados: cada decisão se aplica à jurisdição que a votou.
A disputa sobre identificação e cidadania também ocorre em meio à discussão nacional sobre regras eleitorais. A proposta federal conhecida como SAVE America Act perdeu perspectiva de aprovação após a mudança na maioria do Congresso, mas as votações estaduais mostram que os temas seguem em debate entre eleitores e legisladores.