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Sábado, 24 de outubro de 2026

Eleitores ampliam mobilização nas ruas e nas redes no 2º turno

Atos presenciais e ações digitais ganharam força entre apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto os dois grupos intensificam a disputa.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovens participam de um ato político e registram a manifestação com celulares. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovens participam de um ato político e registram a manifestação com celulares.
Resumo em 30 segundos

A mobilização de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro cresceu no segundo turno, com mais atos de rua, grupos de WhatsApp e ações coordenadas nas redes. Dados da consultoria BITES mostram que Lula superou o adversário em novos seguidores e interações nas plataformas analisadas. Jovens e grupos de fãs também passaram a participar da campanha.

A mobilização de eleitores nas ruas e nas redes sociais cresceu no segundo turno da eleição presidencial, depois de uma campanha marcada por desânimo e baixa participação antes da votação de 4 de outubro. O resultado, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levou apoiadores dos dois candidatos a intensificar atos, conversas e ações digitais.

O especialista tributário Douglas Tajiri, de 30 anos, diz que acreditava na reeleição de Lula e, por isso, pouco falou de política com amigos e não compartilhou conteúdos eleitorais. A vantagem de Flávio no primeiro turno e o desempenho de candidatos de direita ao Congresso o fizeram rever a postura e participar de atividades da campanha petista.

Tajiri foi a dois atos da esquerda e entrou no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O grupo reunia 9,7 milhões de seguidores neste sábado e propõe ações coordenadas, como compartilhar vídeos, impulsionar hashtags e divulgar publicações em horários combinados. Segundo Tajiri, a organização simultânea amplia o alcance das iniciativas.

A mobilização também ganhou força entre jovens, estudantes e grupos de fãs de artistas, chamados de fandoms. Cila Schulman, CEO do Ideia, afirma que essas iniciativas surgiram de forma orgânica e depois foram incorporadas à campanha de Lula, ao lado da atuação digital de Janones e de artistas. Entre os atos citados está uma manifestação de fandoms na Avenida Paulista, em 11 de outubro.

A campanha de Flávio manteve eventos de rua e, no segundo turno, contou com maior participação de lideranças locais, especialmente em São Paulo. Entre elas estava o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), descrito como uma liderança da direita nas redes, também conduziu grandes atos.

O estudante de Direito Carlos Eduardo Rollo, de 18 anos, começou a campanha distante da disputa. Ele votou no ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e dizia não se sentir representado pelos dois candidatos que avançaram ao segundo turno. Depois de avaliar temas econômicos, decidiu apoiar Flávio: participou de três atos e ajudou a convocar colegas para dois deles.

Rollo também passou a atuar em seis grupos de WhatsApp com estudantes do Mackenzie e de outras universidades, onde compartilha notícias sobre política e economia. Ele afirma que tomou a iniciativa ao perceber que alguns jovens com posições próximas às suas não conseguiam responder a questões sobre o governo. A experiência anterior do estudante em uma manifestação havia sido aos sete anos, quando acompanhou o pai em um ato pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Os dados da consultoria BITES indicam que a mudança de ritmo também apareceu nas redes. No primeiro turno, entre 16 de agosto e 4 de outubro, Flávio ganhou 2,4 milhões de seguidores, contra 1,4 milhão de Lula. O petista, porém, teve 83,8 milhões de interações, ante 73,5 milhões do adversário. Interações incluem ações como curtidas, comentários e compartilhamentos.

No segundo turno, Lula superou Flávio nos dois indicadores medidos pela consultoria nas plataformas X, Facebook, Instagram, YouTube e TikTok. O presidente ganhou 5,8 milhões de seguidores, enquanto o senador somou 3,3 milhões. Lula registrou ainda 201,2 milhões de interações, mais de três vezes as 60,4 milhões atribuídas a Flávio.

Manoel Fernandes, diretor-executivo da BITES, avalia que a campanha de Lula passou a dar mais importância à comunicação digital depois do primeiro turno. Segundo ele, a aproximação do presidente com deputados influenciadores ajudou a impulsionar a mudança, embora Janones tenha sido um dos aliados mais ativos nas redes.

A disputa apertada também elevou a preocupação dos dois grupos com a possibilidade de vitória do adversário, segundo Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados. Dados da consultoria mostram que, no segundo turno, temas como costumes, religião, emprego, saúde, educação e economia ganharam espaço nas discussões sobre os candidatos. Já assuntos como o Supremo Tribunal Federal, o governo dos Estados Unidos e o caso Banco Master perderam presença nas menções analisadas.

Denicoli afirma que a campanha passou a discutir com mais frequência o que cada candidato poderia fazer no governo. Para ele, a intensificação da participação política pode deixar os eleitores mais dispostos a se organizar e a se manifestar também após a eleição. A mobilização, tanto presencial quanto digital, passou a reunir pessoas que no primeiro turno ficaram à margem da campanha por confiança no resultado, descrença ou falta de identificação com os candidatos.

Para entender

Fandoms
São comunidades de fãs que se organizam em torno de artistas, obras ou outras figuras públicas. Além de acompanhar e divulgar o trabalho de quem admiram, integrantes podem coordenar ações coletivas, inclusive em redes sociais e eventos presenciais.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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