Dólar sobe 9,2% após reeleição de Lula e tem maior alta desde 2008
A Ptax fechou a segunda-feira em R$ 5,4998; analistas avaliam que a alta do dólar reflete uma revisão das expectativas, não uma mudança estrutural.
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O dólar avançou 9,2% na segunda-feira após a reeleição de Lula e fechou com Ptax de R$ 5,4998. Foi a maior alta diária desde a crise financeira de 2008, mas analistas consideram que o movimento representa um ajuste nas expectativas de investidores, e não uma mudança estrutural no câmbio.
O dólar subiu 9,2% na segunda-feira, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e fechou com taxa média de R$ 5,4998, segundo a Ptax calculada pelo Banco Central. Analistas ouvidos sobre o movimento avaliaram que a alta representa um ajuste de expectativas, e não uma mudança estrutural no câmbio brasileiro. A variação foi a maior desde a crise financeira global de 2008.
A Ptax é uma taxa de referência do dólar, calculada pelo Banco Central a partir de cotações observadas ao longo do dia. Por isso, pode diferir do preço visto em uma operação específica de compra ou venda. A taxa média de segunda-feira considera as oscilações entre a abertura e o fechamento do mercado.
A reprecificação ocorreu porque parte dos investidores havia montado posições apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, visto por esses agentes como mais disposto a promover um ajuste das contas públicas. Essa expectativa também incluía a possibilidade de redução dos juros no Brasil. Com o resultado eleitoral, investidores revisaram suas apostas e os preços dos ativos reagiram.
Embora a alta tenha sido expressiva, o movimento ficou abaixo dos maiores saltos diários registrados desde a criação do Real. Em 15 de janeiro de 1999, a Ptax avançou 11,10%, quando o Brasil abandonou o câmbio administrado e as bandas cambiais e passou a adotar o regime de dólar flutuante, mantido até hoje.
Na crise financeira de 2008, a maior alta diária ocorreu em 8 de outubro, quando o dólar Ptax avançou 9,33%. A turbulência começou no sistema financeiro dos Estados Unidos e se espalhou pela economia mundial, em um período marcado pela quebra do banco Lehman Brothers. A variação de segunda-feira foi próxima desse patamar, mas analistas avaliam que o nível de estresse atual não se compara ao daqueles episódios.
Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da gestora PGIM, afirmou que a reação pode levar a uma reprecificação significativa por algum tempo. Ela disse, porém, que o cenário tende a se estabilizar e que medidas fiscais consideradas factíveis poderiam ajudar o governo a acalmar o mercado.
A diferença entre um ajuste de preços e uma mudança estrutural está na duração e nas causas do movimento. A reprecificação reflete a revisão das expectativas dos investidores sobre o cenário político e econômico; já uma alteração estrutural envolve mudanças duradouras nas regras ou no funcionamento do mercado cambial, como ocorreu em 1999.