Documentário Mestre Zu relembra trajetória de Zuenir Ventura
O filme de Zelito Viana estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 22, um mês após a morte do jornalista, e retoma os acontecimentos de 1968.
Resumo em 30 segundos
Dirigido por Zelito Viana, “Mestre Zu” acompanha a trajetória de Zuenir Ventura, autor de “1968: O Ano que Não Terminou”. O documentário relembra protestos e manifestações culturais contra a ditadura militar, além da decretação do AI-5. A estreia nos cinemas está marcada para esta quinta-feira, 22.
O documentário “Mestre Zu”, dirigido por Zelito Viana e dedicado à trajetória do jornalista e escritor Zuenir Ventura, estreia nos cinemas nesta quinta-feira (22), um mês após a morte do autor. Ventura escreveu “1968: O Ano que Não Terminou”, livro que reconstitui acontecimentos políticos, sociais e culturais do Brasil durante a ditadura militar.
A obra percorre movimentos de resistência ao regime, entre eles a Passeata dos Cem Mil, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1968, e manifestações artísticas como a apresentação de Caetano Veloso com “É Proibido Proibir”, no 3º Festival Internacional da Canção. O relato chega até o Ato Institucional nº 5 (AI-5), decretado em 13 de dezembro daquele ano, que ampliou a repressão e restringiu direitos.
O lançamento ocorre em meio à campanha para o segundo turno da eleição presidencial. Nos últimos dias, cidades brasileiras receberam manifestações em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Em Porto Alegre, uma caminhada com o presidente reuniu dezenas de milhares de pessoas na segunda-feira (19), em um dos maiores atos políticos da história da capital gaúcha.
A disputa também mobilizou artistas e pessoas de diferentes gerações. Chico Buarque participou de um ato no Rio de Janeiro, e Gilberto Gil esteve em uma manifestação em Salvador. Ambos viveram os acontecimentos de 1968 retratados por Ventura. Em Copacabana, Caetano Veloso chorou no palco enquanto Geraldo Azevedo cantava “Dia Branco”; os dois artistas foram presos durante a ditadura.
O paralelo entre o livro e o cenário eleitoral atual aparece na mobilização de apoiadores nas ruas e na defesa da democracia e das liberdades. A eleição presidencial será decidida no segundo turno neste domingo (25), quando os eleitores escolherão entre Lula e o candidato adversário. O documentário, por sua vez, retoma um período em que protestos populares e manifestações culturais foram seguidos por uma intensificação da repressão estatal.
O AI-5 marcou uma ruptura no regime militar: permitiu, entre outras medidas, o fechamento do Congresso, a cassação de mandatos e a suspensão de garantias políticas. A referência ao ato no livro de Ventura ajuda a situar o desfecho de 1968 e a trajetória de pessoas que enfrentaram a censura e a perseguição. O filme de Viana apresenta essa história por meio do percurso do jornalista, conhecido pela investigação e pela escrita sobre o período.