Lula associa Flávio Bolsonaro a milícias em propaganda eleitoral
No horário do segundo turno, o programa exibe falas antigas do senador e apresenta propostas de Lula para segurança pública, incluindo mudanças em presídios.
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A propaganda eleitoral de Lula exibida nesta terça-feira associou Flávio Bolsonaro a milícias do Rio e recuperou falas do senador quando era deputado estadual. O programa também citou suspeitas relacionadas a Adriano da Nóbrega e a uma emenda parlamentar. Lula apresentou propostas de segurança pública, enquanto a propaganda de Flávio retomou críticas ao governo e promessas de campanha.
A propaganda eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou nesta terça-feira (13) o senador Flávio Bolsonaro (PL) a milícias do Rio de Janeiro. O programa, exibido no horário eleitoral do segundo turno, abriu com imagens de reportagens sobre a atuação dos grupos e falas antigas de Flávio, quando era deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Um narrador afirma que, com Flávio, “você perde”. Em seguida, a propaganda apresenta um discurso em que o então deputado minimiza a influência das milícias e sugere que moradores estariam satisfeitos com a segurança oferecida por integrantes desses grupos. Também são mostrados relatos de pessoas que vivem sob ameaça.
O programa recupera ainda suspeitas sobre a proximidade de Flávio com Adriano da Nóbrega, ex-policial apontado como líder do Escritório do Crime e investigado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco, em 2018. Flávio homenageou Nóbrega no início dos anos 2000 e contratou familiares dele para trabalhar em seu gabinete na Alerj. Nóbrega foi morto em 2020.
A propaganda também cita uma emenda parlamentar negociada por Flávio em 2023, quando já era senador, com um miliciano. O trecho reproduz um editorial publicado em setembro que questionou a negociação. Flávio afirmou que a emenda foi destinada de acordo com a legislação e que cabia à entidade beneficiada prestar contas dos recursos.
Depois das críticas, Lula aparece para apresentar propostas de segurança pública. Ele defende ampliar ações de inteligência coordenadas pela Polícia Federal e transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima. O presidente também pediu apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Senado.
“[O texto] já foi aprovado na Câmara. Está no Senado desde março deste ano. Eu espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote para que a gente possa de uma vez por todas combater o crime organizado”, disse Lula. Uma PEC altera a Constituição e precisa passar por votação nas duas Casas do Congresso.
Na sequência, a propaganda de Flávio retomou críticas ao endividamento, à carga tributária e à política de segurança do governo. O programa repetiu a promessa de reduzir impostos, chamada de “tesouraço”, e de criar o sistema nacional de monitoramento “smart Brasil”. Também mencionou um sistema de vouchers para famílias pagarem creches e uma rede de apoio a crianças atípicas.
A campanha do PL voltou a exibir falas em que Flávio nega que pretenda extinguir o Bolsa Família ou o Farmácia Popular. O programa também mostrou apoios de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL-DF). Flávio afirmou que a votação de deputados e senadores de seu partido no primeiro turno indicou o desejo do eleitor por mudança.