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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Debêntures incentivadas recuam enquanto FIIs e Fiagros avançam

A captação total no mercado de capitais brasileiro cresceu 5,3% até setembro, com alta também em FIDCs e ofertas de ações, segundo a Anbima.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Edifícios de um centro financeiro refletem uma paisagem agrícola ao entardecer. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Edifícios de um centro financeiro refletem uma paisagem agrícola ao entardecer.
Resumo em 30 segundos

As ofertas no mercado de capitais somaram R$ 556,7 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 5,3% em relação a 2025. As emissões de debêntures incentivadas caíram 30,1%, enquanto FIIs, Fiagros e FIDCs ampliaram a captação. A renda fixa recuou, mas seguiu responsável por 79,2% do total.

As emissões de debêntures incentivadas caíram 30,1% entre janeiro e setembro, enquanto fundos imobiliários (FIIs), Fiagros e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) ampliaram sua participação no mercado de capitais. Os dados, divulgados nesta terça-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mostram que o total captado em ofertas no país chegou a R$ 556,7 bilhões no período, alta de 5,3% em relação aos nove primeiros meses de 2025.

As empresas emitiram R$ 79,5 bilhões em debêntures incentivadas, ante R$ 113,8 bilhões um ano antes. Esses títulos de dívida financiam projetos de infraestrutura e contam com incentivo tributário previsto em lei. As debêntures corporativas tradicionais também recuaram: as emissões somaram R$ 136,1 bilhões, queda de 21% frente aos R$ 172,3 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

A retração das debêntures incentivadas ocorreu em um cenário de piora no crédito privado. A pressão sobre esse mercado ganhou força após o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, que elevou a preocupação com possíveis efeitos sobre outras empresas e provocou resgates em fundos de infraestrutura. Para atender aos pedidos de retirada, esses fundos venderam títulos, movimento que aumentou os prêmios de risco e afetou o desempenho dos investimentos.

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, afirmou que o setor pode se estabilizar nos próximos meses. Segundo ele, a captação por debêntures incentivadas pode deixar de ser tão barata quanto foi até o ano passado, mas também não deve permanecer tão cara. César Mindof, diretor da entidade, disse que o mercado já passou por períodos de condições mais difíceis e deve se ajustar.

As emissões de renda fixa somaram R$ 441 bilhões, redução de 9,8% ante 2025, mas ainda representaram 79,2% do total captado no mercado brasileiro. Dentro desse segmento, as debêntures de securitização avançaram 40,1%, de R$ 32,5 bilhões para R$ 45,6 bilhões. Sua fatia no total das emissões de debêntures passou de 10,2% para 17,5%.

Os instrumentos híbridos, que incluem FIIs e fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagros), mais que dobraram, para R$ 80,8 bilhões, ante R$ 35,7 bilhões. As ofertas de cotas de FIIs chegaram a R$ 70,6 bilhões, contra R$ 32,9 bilhões no mesmo período de 2025. O terceiro trimestre foi o mais forte do ano, com R$ 31,1 bilhões captados. As emissões de Fiagros subiram de R$ 2,7 bilhões para R$ 10,2 bilhões, avanço de 274,7%.

No caso dos FIIs, a composição dos investidores mudou. Pessoas físicas responderam por 21% das subscrições no terceiro trimestre, ante 32,3% no mesmo período do ano passado. A participação dos fundos de investimento aumentou de 39,6% para 42,2%. No acumulado do ano até setembro, fundos subscreveram R$ 29,4 bilhões em cotas, contra R$ 11 bilhões em 2025; as compras de pessoas físicas cresceram de R$ 13,4 bilhões para R$ 23,3 bilhões.

Maranhão atribuiu a mudança, em parte, a operações em que cotas são usadas como pagamento na compra de ativos ou na consolidação de fundos. Nesse tipo de negócio, por exemplo, um FII pode transferir cotas ao proprietário de um imóvel em troca do ativo. O recebedor pode vender os papéis posteriormente para obter dinheiro.

No agronegócio, as emissões de Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) aumentaram 202%, para R$ 11,8 bilhões, enquanto as de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) caíram 62%. Mindof afirmou que a redução dos CRAs reflete dificuldades no setor e descreveu o recuo como controlado. Segundo ele, CPR-F e Fiagros vêm ocupando parte do espaço dos certificados.

Os FIDCs captaram R$ 87,8 bilhões, alta de 42,8% sobre os R$ 61,5 bilhões do mesmo intervalo de 2025. O número de operações avançou de 778 para 865. Já as ofertas de ações somaram R$ 34,8 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões: R$ 31,8 bilhões vieram de ofertas subsequentes, conhecidas como follow-ons, e R$ 3 bilhões de ofertas públicas iniciais (IPOs).

No exterior, a dívida emitida por brasileiros totalizou US$ 22,2 bilhões, queda de 22,6%. As captações de empresas recuaram 40,4%, para US$ 9,9 bilhões, e as de instituições financeiras passaram de US$ 3,6 bilhões para US$ 2 bilhões. Em sentido oposto, as emissões da União cresceram 21,2%, para US$ 10,3 bilhões, elevando a participação do governo federal no total de 29,6% para 46,4%.

Para entender

Debêntures incentivadas
São títulos de dívida emitidos para financiar projetos de infraestrutura. A legislação prevê incentivo tributário para esses papéis, que permitem às empresas captar recursos no mercado.
Fiagros
Fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais. Reúnem recursos de investidores para aplicações relacionadas ao agronegócio e podem captar por meio da oferta de cotas.
FIDCs
Fundos de Investimento em Direitos Creditórios aplicam em direitos a receber, como parcelas de vendas ou empréstimos. Empresas podem usar esses fundos para transformar créditos futuros em recursos.

Fontes: Valor Econômico

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