Davi Alcolumbre apoia Clécio em disputa pelo governo do Amapá
A disputa entre Clécio Luís e Antônio Furlan pelo governo do Amapá ocorre sob a expectativa de receitas do petróleo e disputas políticas e judiciais.
Resumo em 30 segundos
A eleição para o governo do Amapá coloca Clécio Luís contra Antônio Furlan em meio à expectativa de exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. A atividade pode ampliar a economia e gerar empregos, mas eleitores demonstram dúvidas sobre a distribuição dos ganhos. A disputa também envolve investigações, acusações entre campanhas e desafios de segurança e infraestrutura.
A eleição para o governo do Amapá opõe o governador Clécio Luís (União), candidato à reeleição, e o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD), em uma disputa marcada pela expectativa de exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. O resultado definirá quem estará à frente do Estado quando a nova atividade começar a movimentar investimentos e receitas, embora o tema apareça pouco nas campanhas.
A confirmação de petróleo de boa qualidade na região ampliou o peso político do pleito. O poço Morpho fica a 175 quilômetros da costa de Oiapoque, e projeções empresariais mais otimistas apontam que a produção inicial poderá ocorrer em quatro anos. Empresas já fazem prospecções e montam bases no Amapá, antes mesmo do início da extração.
O futuro governador poderá administrar parte dos recursos associados à cadeia do petróleo, incluindo royalties, e terá de responder a desafios sociais e de infraestrutura. O Amapá tem o terceiro menor Produto Interno Bruto (PIB) do país, estimado em cerca de R$ 28 bilhões. Projeção do Observatório Nacional da Indústria indica que a atividade pode elevar a riqueza estadual em 61% nos próximos anos e gerar mais de mil empregos formais já em 2027.
A promessa de crescimento convive com dúvidas sobre a distribuição dos ganhos. Quase 43% dos trabalhadores do Estado estão na informalidade, acima da média nacional, de 37%. Além disso, 88% da população não têm coleta de esgoto e 40% não contam com acesso à rede de distribuição de água.
Nas ruas e nos atos de campanha, os principais temas citados são segurança pública, custo da energia, saúde e comparação entre as gestões dos candidatos. Um servidor público que também trabalha como motorista de aplicativo afirmou que não acredita que a exploração vá melhorar a vida de quem não está ligado ao funcionalismo. Pesquisadores também apontam que os benefícios dependerão da capacidade do Estado de aplicar os recursos em outras áreas da economia.
A campanha se tornou um confronto entre grupos políticos rivais. Luís tem o apoio do senador Davi Alcolumbre (União), presidente do Congresso, e do senador Randolfe Rodrigues (PT). Furlan, que governou Macapá, apresenta-se como um nome de fora dos grupos tradicionais e concorre com o PL em sua coligação. A capital e Santana concentram 70% dos eleitores do Estado, o que amplia a relevância da avaliação sobre a gestão municipal de Furlan.
O ex-prefeito ganhou projeção após vencer a eleição municipal de 2020, em meio ao apagão que deixou o Amapá sem energia por 22 dias durante a pandemia de covid-19. Ele foi reeleito em 2024 com 85% dos votos, segundo o texto de origem. A popularidade municipal tornou-se um fator da disputa estadual, apesar das alianças de Luís com os principais nomes da política local.
Os dois candidatos também trocam acusações em torno de investigações e do uso da estrutura pública. Investigações conduzidas por policiais federais e civis apuram suspeitas de que integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA) ocuparam cargos comissionados na prefeitura e atuaram para controlar votos em comunidades. O inquérito citado na matéria afirma que, até aquele ponto, não havia elementos além da menção ao nome de Furlan que demonstrassem participação direta ou conhecimento dele sobre o suposto esquema.
Furlan nega acordos com integrantes da facção e afirma que é alvo de perseguição por liderar as pesquisas. Também declarou que um chefe do Executivo não tem como conhecer a vida pessoal de todos os servidores, especialmente quando não há impedimento formal na contratação. Em resposta às acusações, ele acionou a Justiça Eleitoral e denunciou, por sua vez, participação de integrantes da cúpula da segurança pública na campanha de Luís.
Em março, Furlan foi afastado da prefeitura por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma investigação sobre suspeita de desvio de emendas destinadas à construção de um hospital e fraude em licitação. Uma representação relacionada ao caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pede a cassação do registro de candidatura dele ao governo. As acusações ainda são objeto de apuração.
A segurança é outro ponto central da campanha. O Amapá registrou 42,5 mortes por grupo de 100 mil habitantes em 2025, segundo o Anuário de Segurança Pública, e foi o Estado mais violento do país pelo segundo ano consecutivo. O indicador inclui mortes decorrentes de intervenção policial; sem elas, a taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais foi de 25,2 por 100 mil habitantes. O governo estadual contesta a inclusão das mortes policiais no índice geral.
A expectativa econômica também reacende uma discussão antiga sobre o destino de recursos naturais. A exploração de manganês, iniciada em meados dos anos 1940, ajudou a transformar a região, mas pesquisadores afirmam que os recursos não foram convertidos em investimentos suficientes. Para especialistas, petróleo e mineração não garantem, por si sós, industrialização: o resultado dependerá de planejamento e da capacidade de desenvolver outras atividades no Estado.
Quem é quem
- Amapá
- Estado da Região Norte do Brasil, com capital em Macapá. Sua economia e infraestrutura são temas centrais no debate sobre a possível exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e a distribuição dos recursos associados à atividade.
- Bacia da Foz do Amazonas
- Área marítima situada na Margem Equatorial brasileira, próxima à foz do Rio Amazonas. A região está no centro das expectativas de exploração de petróleo mencionadas na disputa política do Amapá.
- Supremo Tribunal Federal (STF)
- Órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro. A Constituição atribui ao STF, entre outras funções, o julgamento de determinadas ações e questões constitucionais; uma decisão da Corte afastou Antônio Furlan da prefeitura, segundo a matéria de origem.