Datafolha aponta queda no apoio ao fim da escala 6x1 no Brasil
Pesquisa mostra que 59% veem benefício para a própria vida, ante 68% em março; a escala 5x2 começa a valer em 16 de dezembro.
Resumo em 30 segundos
Pesquisa Datafolha realizada em outubro aponta que caiu de 68% para 59% a parcela que considera positivo para a própria vida o fim da escala 6x1. A avaliação da mudança para a escala 5x2 segue majoritariamente favorável para a qualidade de vida dos trabalhadores, mas é mais dividida em relação às empresas e à economia.
A parcela de brasileiros que considera positivo para a própria vida o fim da escala 6x1 caiu de 68% para 59% entre março e outubro, segundo pesquisa Datafolha. A mudança para a escala 5x2, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial, foi promulgada neste mês e começará a valer em 16 de dezembro.
No levantamento mais recente, realizado nos dias 20, 21 e 22 de outubro, 19% disseram que a alteração será ruim ou péssima para si mesmos, ante 14% em março. Outros 18% avaliaram o impacto como regular, contra 14% na pesquisa anterior. A oscilação da avaliação positiva foi de nove pontos percentuais.
O Datafolha ouviu 2.520 pessoas com 16 anos ou mais em 154 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A comparação considera a pesquisa feita de 3 a 5 de março e a de outubro.
A percepção sobre os efeitos para as empresas também é dividida. Em outubro, 32% consideraram que a mudança será ótima ou boa para elas, enquanto 41% disseram que será ruim ou péssima e 23% avaliaram como regular. Em dezembro de 2024, 35% viam efeito positivo para as empresas; em março deste ano, eram 39%.
A proporção que prevê consequências negativas para os empregadores foi de 42% em dezembro de 2024, recuou a 39% em março e chegou a 41% em outubro. A possibilidade de aumento de custos é apontada por entidades empresariais, que afirmam que a concessão obrigatória de um segundo dia de folga elevará o custo da hora trabalhada.
Já a avaliação sobre a qualidade de vida dos trabalhadores permanece majoritariamente positiva: 75% disseram que o fim da 6x1 será ótimo ou bom nesse aspecto. Para 12%, o efeito será regular e, para 11%, ruim ou péssimo. Em março, os percentuais eram, respectivamente, 76%, 10% e 12%, variações dentro da margem de erro. Em dezembro de 2024, 72% avaliavam a mudança positivamente.
Sobre a economia em geral, 47% consideram que o fim da escala será ótimo ou bom, 26% dizem que será ruim ou péssimo e 23% avaliam como regular. A avaliação positiva havia sido de 49% em dezembro de 2024 e 50% em março; a negativa ficou em 24% nas duas pesquisas anteriores.
A opinião também varia conforme a preferência eleitoral declarada. Entre os entrevistados que se diziam eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 79% avaliavam positivamente o efeito da mudança para si mesmos; entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, eram 39%. Para a qualidade de vida dos trabalhadores em geral, a avaliação positiva era de 89% entre os eleitores de Lula e 63% entre os de Flávio. Sobre a economia, os índices eram de 70% e 27%, respectivamente.
O pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, atribuiu a queda da avaliação positiva sobretudo ao alinhamento político-eleitoral dos apoiadores de Flávio Bolsonaro, e não necessariamente a uma mudança de convicção sobre a proposta. “O Flávio votou a favor do fim da escala 6x1, mas passou a maior parte do tempo sendo crítico a essa essa pauta”, afirmou.
O economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, disse que a promulgação pode ter levado trabalhadores de setores mais afetados a considerar mais de perto os efeitos da redução das horas. Ele afirmou que a mudança representa uma escolha social, mas que as pessoas também começam a avaliar os custos associados a ela.
A emenda constitucional prevê a redução do limite semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A transição começa em 16 de dezembro: nessa etapa, o máximo será de 42 horas por semana. Após 12 meses, o limite cairá para 40 horas. Na escala 5x2, o trabalhador tem, em regra, cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana; a quantidade de horas por dia depende da distribuição da jornada semanal.
A proposta foi aprovada por ampla maioria, com votos de governo, Centrão e oposição, e promulgada no dia 16 deste mês. Flávio Bolsonaro votou a favor da emenda pela internet, embora tenha sido crítico à pauta durante a maior parte do período, segundo Duque.
Para entender
- Escala 6x1
- Modelo de jornada em que a pessoa trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A proposta de mudança substitui esse formato por uma organização com dois dias de descanso semanal.
- Escala 5x2
- Organização semanal em que, em regra, há cinco dias de trabalho e dois de descanso. A quantidade de horas trabalhadas por dia depende de como a jornada semanal é distribuída.
- Emenda constitucional
- Norma que altera a Constituição Federal. Sua aprovação exige votação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado, com apoio mínimo de três quintos dos parlamentares em cada votação.