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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Data centers podem elevar demanda de energia no Brasil em 10%

A expansão pode exigir até R$ 1 trilhão em investimentos no setor elétrico até 2030, além de mais armazenamento, gás natural e redes confiáveis.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Data center de grande porte com equipamentos de refrigeração e linhas de transmissão de energia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Data center de grande porte com equipamentos de refrigeração e linhas de transmissão de energia.
Resumo em 30 segundos

A instalação de grandes data centers pode elevar em 10% o consumo de energia no Brasil até 2030 e exigir até R$ 1 trilhão em investimentos no setor. Especialistas também destacaram baterias, gás natural e redes de transmissão e distribuição. O Projeto Raia deve acrescentar gás à rede a partir de 2028.

A expansão de data centers no Brasil pode exigir investimentos de até R$ 1 trilhão no setor de energia, segundo estimativa apresentada por Victor Fonseca Soares, responsável pela mesa de energia do Santander, durante o Fórum de Energia 2026, no Rio de Janeiro. Especialistas reunidos no evento afirmaram que ampliar a oferta e a confiabilidade da eletricidade será essencial para atender ao aumento da demanda previsto até 2030.

Soares afirmou que o consumo de energia no país poderá crescer 10% até 2030 caso se confirmem as previsões de instalação de grandes centros de processamento de dados. Ele comparou esse aumento à demanda de “um Estado do Paraná” adicional. Os empreendimentos devem se concentrar perto de grandes regiões metropolitanas e no Nordeste, onde há proximidade com cabos submarinos de fibra óptica.

Uma das medidas apontadas para aproveitar melhor a energia é ampliar o armazenamento em baterias. O sistema pode guardar eletricidade produzida em períodos de baixa demanda para uso posterior. Hoje, em momentos de excesso de geração, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina cortes na produção solar ou eólica para evitar sobrecarga na rede.

Judith Vilela, diretora operacional da Repsol Sinopec Brasil, destacou o papel do gás natural para manter o fornecimento de eletricidade. A empresa comercializa gás produzido no campo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos, onde tem participação de 25% em parceria com Petrobras e Shell.

Vilela também citou o Projeto Raia, identificado como BM-C-33 e localizado na Bacia de Campos. Quando entrar em operação, em 2028, o empreendimento deverá acrescentar 16 milhões de metros cúbicos de gás por dia à rede nacional, volume estimado em 15% da demanda brasileira naquele ano. O projeto prevê investimento de US$ 9 bilhões e tem a Equinor como operadora, com 35% de participação; a Repsol Sinopec também detém 35%, e a Petrobras, 30%.

A executiva afirmou que empreendimentos desse porte dependem de segurança regulatória, jurídica e fiscal para que as empresas tomem decisões de investimento. O gás natural é apontado como uma fonte capaz de complementar a geração renovável e dar suporte à oferta quando a produção solar e eólica oscila. Isso é relevante para data centers, que precisam de fornecimento contínuo para manter servidores e serviços digitais funcionando.

Marcelo Lopes, diretor de operação de geração e transmissão da Neoenergia, ressaltou a importância das redes de distribuição e transmissão para levar eletricidade aos consumidores. A companhia tem um plano de R$ 50 bilhões em investimentos na distribuição. Lopes afirmou que a energia precisa chegar ao consumidor final com qualidade e confiabilidade, requisitos também importantes para a indústria.

Para entender

ONS
O Operador Nacional do Sistema Elétrico coordena e controla a operação das instalações de geração e transmissão de energia no Sistema Interligado Nacional. Entre suas atribuições está equilibrar oferta e demanda e preservar a segurança do fornecimento.
Projeto Raia
Empreendimento de produção de gás natural no campo BM-C-33, na Bacia de Campos. O projeto reúne Equinor, Repsol Sinopec Brasil e Petrobras e prevê conectar a produção de gás à rede nacional.

Fontes: Valor Econômico

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