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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Governo e PT pressionam por corte da Selic a 13,75% antes do Copom

A taxa básica está em 13,75% ao ano, e o Copom decide na quarta-feira se mantém o nível ou inicia novo corte, em meio à pressão política.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédios comerciais em um centro financeiro sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédios comerciais em um centro financeiro sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

Integrantes do governo e do PT criticaram o mercado financeiro e defenderam a redução dos juros antes da reunião do Copom. A taxa Selic está em 13,75% ao ano. A mudança nas projeções após a eleição e a volatilidade dos mercados ampliaram o debate sobre juros e contas públicas.

Integrantes do governo e do PT intensificaram críticas ao mercado financeiro e defenderam a redução dos juros às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta semana. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e o colegiado do Banco Central (BC) deve decidir na quarta-feira se mantém ou altera o nível dos juros básicos.

A Selic é a taxa de referência da economia e influencia o custo de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito e a conter a demanda, o que ajuda a controlar a inflação; também podem aumentar o retorno de investimentos de renda fixa ligados à taxa. A decisão do Copom considera, entre outros fatores, as perspectivas para a inflação e os riscos econômicos.

Antes da eleição presidencial, parte dos analistas esperava um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião. Depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou o número de instituições que prevê a manutenção da taxa em 13,75%, embora a mediana das estimativas ainda apontasse para uma redução. Também recuaram as expectativas de novos cortes em 2027. Na reunião anterior, em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou nesta segunda-feira, 2, a mudança nas projeções e afirmou, em publicação na rede social X, que “estão fazendo política e sabotando a nossa economia”. Ele disse que a Selic não deveria ser definida pelo “humor do mercado financeiro” e cobrou o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente do partido, também publicou críticas ao setor financeiro. Em uma postagem, escreveu que o mercado tem “o DNA do autoritarismo” e afirmou que seus integrantes teriam apoiado Flávio Bolsonaro para presidente. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) defendeu a redução dos juros, mas disse que ela não deve ocorrer “na marra”. Também afirmou que as contas precisam ser equilibradas sem cortes que atinjam os mais pobres.

As manifestações ocorreram depois de declarações do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que criticou a busca por ganhos no setor financeiro e disse que há “especulação”. No sábado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que vê pressão do mercado no debate sobre o ajuste fiscal. Ele defendeu que eventuais economias priorizem a revisão de privilégios, citando desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou neste domingo que o governo não avalia tabelar juros nem usar reservas internacionais para conter o câmbio. Ele também negou que haja uma reunião marcada entre Lula e o economista André Lara Resende. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou que apenas Durigan fala em nome do governo sobre política econômica.

Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, publicou em 25 de setembro um artigo com críticas à política monetária. No texto, propôs reduzir gradualmente a Selic ao longo de cerca de 12 meses, até aproximadamente 7,5% ao ano, e criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para estabelecer metas fiscais e monetárias de quatro a cinco anos. O economista foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A disputa ocorre em meio à volatilidade nos mercados após a eleição. Na semana passada, o dólar subiu 9,04%, enquanto as taxas de juros futuros avançaram. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 18,12% no período, segundo os dados divulgados. Entre as preocupações citadas por investidores estão as incertezas sobre as contas públicas no próximo mandato e a falta de anúncios de medidas de ajuste de gastos ou de nomes para a nova equipe econômica.

A autonomia do Banco Central é prevista em lei aprovada em 2021. A norma estabelece que o presidente da República indica os integrantes da diretoria, mas os mandatos não coincidem com o do chefe do Executivo, mecanismo destinado a reduzir a influência política sobre decisões como a definição da Selic. O Copom é o colegiado do BC responsável por estabelecer a meta para a taxa básica.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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