Coordenadores de Lula e Flávio debatem reta final da campanha
No encontro da GloboNews, Edinho Silva e Rogério Marinho divergiram sobre Bolsa Família, segurança pública e economia antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Resumo em 30 segundos
Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula, e Rogério Marinho, da campanha de Flávio Bolsonaro, discutiram as estratégias para os últimos dias da disputa presidencial. O debate abordou programas sociais, direitos trabalhistas, segurança pública, atuação das plataformas digitais e economia, com críticas e defesas das gestões e propostas dos candidatos.
Os coordenadores das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Edinho Silva e Rogério Marinho, respectivamente, debateram nesta segunda-feira (19) as estratégias para a reta final da disputa presidencial. No encontro promovido pela GloboNews, em meio a divergências sobre programas sociais, segurança pública e economia, os dois defenderam caminhos distintos para os candidatos antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Marinho afirmou que Flávio pretende concentrar a campanha nos problemas que, segundo ele, afetam a população e criticar a gestão Lula. O coordenador disse considerar que o modelo de governo do petista está esgotado e não oferece soluções estruturais. Edinho afirmou que Lula seguirá destacando diferenças entre os projetos dos candidatos, com propostas voltadas à saúde, à geração de empregos e ao desenvolvimento tecnológico.
A política do Bolsa Família foi um dos pontos de divergência. Marinho disse que a proposta apresentada pela equipe de Flávio não retira o benefício de quem consegue emprego formal depois de dois anos, mas amplia o período de transição para famílias que passam a ter renda do trabalho com carteira assinada. Segundo ele, a regra atual prevê 18 meses e a ideia é estendê-la para 24 meses.
O período de transição permite que a família mantenha o benefício por algum tempo enquanto se adapta à nova renda, em vez de perder o auxílio imediatamente ao conseguir emprego formal. Edinho questionou o compromisso de Flávio com programas sociais e direitos trabalhistas e citou posições do senador sobre licença-maternidade e aposentadoria. Também afirmou que Flávio mudou de posição sobre o fim da escala de trabalho 6x1 por causa da repercussão pública do tema.
Na discussão sobre segurança, Edinho criticou Flávio por sua atuação em temas ligados ao controle de armas e mencionou uma proposta sobre a identificação de munições. O petista questionou a quem interessaria retirar a numeração que permite rastrear munições e relacionou a medida à possibilidade de dificultar investigações sobre usos ilegais.
Marinho respondeu que Flávio não apresentou o projeto nem propôs emendas para retirar a identificação das munições. Segundo o coordenador, o senador defendeu que o texto, apresentado pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019 e aprovado pela Câmara naquele ano, fosse votado integralmente. A proposta reúne mais de 40 dispositivos e está parada no Senado.
Edinho também citou a homenagem concedida por Flávio, quando era deputado estadual, ao miliciano Adriano da Nóbrega e a participação do senador na defesa de um policial militar suspeito de atirar na menina Ana Clara, de cinco anos, em Niterói (RJ), em 2021. O petista afirmou que esses episódios contradizem a atuação de Flávio no debate sobre segurança. Marinho contestou as críticas à posição do senador sobre o projeto das munições, mas não respondeu, no relato do debate, às demais acusações feitas por Edinho.
Os coordenadores também discutiram a atuação das plataformas digitais durante a campanha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu à Meta, empresa responsável por Facebook e Instagram, prazo de 24 horas para demonstrar as medidas adotadas para assegurar tratamento igual às campanhas. Edinho afirmou que a empresa não deve favorecer um lado e defendeu regras para as grandes empresas de tecnologia. Marinho disse que sua campanha repudia qualquer favorecimento por plataformas e negou que o grupo de Flávio tenha se oposto à volta do canal “Exército de Lula”, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
No campo econômico, Marinho acusou o governo Lula de elevar despesas sem garantir recursos suficientes e de recorrer ao aumento de impostos em vez de cortar gastos. Ele associou o crescimento da dívida pública à inflação, aos juros e ao preço dos alimentos. Edinho afirmou que Lula recebeu, em 2023, um país com déficit de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e dificuldades para pagar despesas como precatórios e o Bolsa Família.
O coordenador petista disse que o governo conseguiu estabilizar o país, recuperar a credibilidade internacional e ampliar mercados comerciais. Também criticou declarações de Flávio nos Estados Unidos sobre as reservas brasileiras de terras raras. Marinho defendeu a condução econômica do governo Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 e afirmou que a recuperação do Brasil nos dois anos seguintes à crise sanitária superou a média mundial.
Questionado sobre as cerca de 700 mil mortes por covid-19 no Brasil, Marinho respondeu que “morreram como morreu no mundo inteiro”. A discussão ocorreu um dia depois do debate entre Lula e Flávio na Band, em que os presidenciáveis trocaram acusações. O encontro desta segunda-feira foi dedicado às estratégias das campanhas para os últimos dias antes da votação.