Conselho de Supervisão da Meta aponta falhas na moderação eleitoral
No Brasil, o órgão também acompanha a disputa entre Lula e Flávio; a Meta afirmou ao TSE que adotou medidas para tratar as campanhas igualmente.
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O Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na moderação de conteúdos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa afirma ter adotado medidas para cumprir a determinação do TSE de garantir tratamento igual às campanhas de Lula e Flávio, incluindo revisão humana de restrições automatizadas a anúncios em até duas horas.
O Conselho de Supervisão da Meta apontou nesta terça-feira (20) falhas recorrentes na moderação de conteúdos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos. O órgão independente, que analisa decisões de moderação nas plataformas da empresa, afirmou estar preocupado com a capacidade da Meta de preservar a integridade dos processos eleitorais.
O conselho identificou tanto a aplicação excessiva das regras, que pode restringir manifestações políticas, quanto a aplicação insuficiente, que pode comprometer a integridade das eleições. Entre os exemplos citados estão a exclusão de contas de militantes durante protestos nos Estados Unidos, antes das eleições de meio de mandato, e limitações técnicas que afetaram contas de um candidato à Presidência no Brasil.
No Brasil, a discussão envolve a disputa de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A campanha de Lula acusou a Meta de restringir conteúdos no Instagram e no WhatsApp e questionou o funcionamento da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da empresa, que, segundo o partido, recusava pedidos de conteúdo eleitoral relacionado ao petista, mas atendia solicitações sobre Flávio.
A Justiça Eleitoral deu à empresa 24 horas para comprovar que aplica tratamento igual às duas campanhas. Em manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, a Meta afirmou ter adotado medidas para cumprir a determinação e informou que reúne documentos para demonstrar o atendimento às exigências. A empresa também disse que poderá buscar, por meios legais, revisões pontuais da decisão.
Entre as providências descritas pela Meta está a revisão humana, em até duas horas, de restrições automatizadas a contas de anúncios das candidaturas. A empresa afirmou ainda que usa os mesmos critérios para solicitações relacionadas a conteúdos político-eleitorais. Sobre publicações colaborativas no Instagram, alegou que limitações técnicas impedem restringir a recomendação de uma publicação em um perfil sem afetar sua distribuição em outro; por isso, manteve a não recomendação desse tipo de conteúdo como um todo.
As reclamações sobre tratamento desigual vieram de ambos os lados: a campanha de Lula acusou a empresa de descumprir as ordens judiciais, enquanto a de Flávio afirmou que o candidato era prejudicado por anúncios negativos impulsionados. A Meta negou favorecer qualquer candidatura e atribuiu problemas anteriores, como a desativação por engano de anúncios de Lula, a incidentes técnicos que não se limitaram ao Brasil.
O conselho também cobrou mais transparência e coerência nas práticas de moderação durante eleições. Nos Estados Unidos, a Meta pediu desculpas após desativar temporariamente a conta do Instagram “No Kings”, ligada a uma coalizão que incentiva a participação nas eleições de meio de mandato. A empresa disse que a suspensão foi causada por uma ação automatizada realizada por engano.