Centrão discute mudança no sistema eleitoral com Hugo Motta
Reunião desta quarta-feira tenta construir consenso entre voto distrital misto e distritão, mas há resistência de partidos e divergências sobre o modelo.
Resumo em 30 segundos
Lideranças do Centrão se reúnem com Hugo Motta para discutir mudanças nas regras de escolha de deputados. Entre as propostas estão o voto distrital misto e o distritão, que favorece os candidatos mais votados individualmente. Não há consenso, e partidos como PT e PL resistem à articulação. O grupo quer votar o tema ainda neste ano.
Presidentes de partidos do Centrão e líderes das siglas se reúnem nesta quarta-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir mudanças no sistema eleitoral ainda neste ano. O grupo considera a reforma uma prioridade, mas não há consenso sobre qual modelo adotar nem entre os partidos envolvidos.
A articulação busca reduzir o peso dos chamados puxadores de votos e fortalecer as legendas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deu aval para que Motta tente construir um texto de consenso, segundo integrantes do Centrão. A reunião, porém, pode não terminar com uma decisão, diante das divergências internas e da resistência de partidos como PT e PL.
Dois formatos estão em discussão. O voto distrital misto combina a eleição de parte dos deputados em distritos, por votação direta, com a escolha dos demais por listas de candidatos ordenadas pelos partidos. Já o distritão elege os candidatos individualmente mais votados em cada estado, sem considerar o desempenho total das legendas na distribuição das vagas.
No modelo proporcional usado atualmente para escolher deputados federais, as cadeiras são distribuídas conforme a votação dos partidos e das federações. Assim, o desempenho de um candidato pode ajudar a eleger outros nomes da mesma legenda ou federação. Neste ano, 33 dos 513 eleitos tiveram votos suficientes para contribuir para a conquista de outras vagas.
Entre os exemplos estão Nikolas Ferreira (PL-MG), que ajudou a eleger outros 13 nomes do partido em Minas Gerais; Lucas Pavanato (PL-SP), associado à conquista de mais sete vagas da sigla em São Paulo; e Erika Hilton (PSOL-SP), cujo desempenho contribuiu para o partido obter outras três cadeiras no estado.
O PL elegeu 121 deputados federais e será a maior bancada a partir de fevereiro. União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos somaram 207 eleitos, 19 a menos do que as bancadas dessas siglas têm atualmente. A perda de espaço do grupo de centro, diante do crescimento do PL, é apontada por lideranças como uma das razões para a discussão.
Na terça-feira, os deputados Domingos Filho (PSD-CE) e Renata Abreu (Podemos-SP) conversaram com bancadas sobre propostas distintas. Domingos defende o voto distrital misto, com aplicação prevista para as eleições municipais de 2028; Renata apoia o distritão. A mudança para o distritão exigiria uma alteração na Constituição, por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa de 308 votos na Câmara.
Mesmo sem acordo, o Centrão pretende insistir para que o tema seja votado ainda neste ano, antes da posse dos novos deputados. As propostas também têm efeitos diferentes: o voto distrital misto mantém uma parcela de representação proporcional por listas partidárias, enquanto o distritão privilegia a votação individual dos candidatos em cada estado. Habituais disputas sobre o formato e as regras ainda precisam ser resolvidas pelos parlamentares.