Dez partidos articulam reforma eleitoral para novembro e discutem modelos
O grupo quer definir a proposta em reunião no dia 28 e avalia o voto distrital misto e o distritão, que mudariam a escolha de deputados e vereadores.
Resumo em 30 segundos
Dez partidos de centro e centro-direita planejam votar uma reforma eleitoral na primeira semana de novembro, mas ainda não definiram qual modelo apoiar. Entre as opções estão o voto distrital misto e o distritão. A articulação ocorre após o avanço do PL na Câmara e a redução da bancada de partidos do centrão.
Dez partidos do centro e centro-direita querem votar na primeira semana de novembro uma reforma eleitoral para substituir o sistema proporcional de lista aberta usado nas eleições para deputados e vereadores. A proposta foi discutida na quarta-feira (14), em reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas as legendas ainda não decidiram qual modelo defenderão.
O grupo reúne PSD, Republicanos, MDB, Podemos e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade. Os partidos pretendem chegar a um acordo em reunião marcada para o dia 28 e buscar apoio de siglas de esquerda e centro-esquerda. A votação é planejada para ocorrer antes da posse dos congressistas eleitos.
A articulação está ligada à preocupação com a perda de espaço no Legislativo diante do avanço do PL, que elegeu 121 deputados federais, ante 99 na eleição anterior. O centrão perdeu mais de 20 cadeiras; a federação União Brasil-PP, maior grupo desse bloco, deve passar de 97 deputados para 87.
Entre as alternativas em discussão estão o voto distrital misto e o distritão. No modelo distrital misto, parte das cadeiras é definida por votação em distritos regionais, nos quais vence o candidato mais votado, e a outra parte é distribuída com base nos votos nos partidos em todo o estado. Essa parcela pode seguir uma lista fechada, definida pelas legendas, ou aberta, com disputa entre candidatos.
Defensores do voto distrital misto afirmam que a escolha de representantes por regiões aproxima eleitores e deputados e facilita a cobrança. Críticos dizem que o sistema pode estimular a formação de currais eleitorais. Parte dos deputados do centrão também teme que os governadores ganhem influência excessiva na disputa local. O PSD está entre os partidos que preferem esse modelo, e o deputado Domingos Neto (PSD-CE) negocia um projeto de lei sobre o tema.
No distritão, os candidatos mais votados são eleitos, sem que a quantidade de votos recebida por cada partido determine o número de cadeiras da legenda. A mudança exigiria uma alteração constitucional: uma proposta de emenda à Constituição precisa de ao menos 308 votos entre os 513 deputados. Em 2015, uma tentativa de aprovar o modelo foi rejeitada na Câmara por 267 votos a 210.
Hoje, deputados e vereadores são escolhidos pelo sistema proporcional de lista aberta. Os votos recebidos pelos candidatos de cada partido ou federação são somados para definir quantas cadeiras o grupo terá; depois, os mais votados ocupam as vagas, desde que atinjam pelo menos 10% do quociente eleitoral do estado. O mecanismo permite que candidatos com votação elevada contribuam para eleger colegas da mesma legenda.
A regra ajudou a impulsionar o PL em estados como Minas Gerais e São Paulo. Nikolas Ferreira (PL-MG), eleito com mais de três milhões de votos, contribuiu para a eleição de outros 13 deputados do partido em Minas. O vereador paulista Lucas Pavanato (PL-SP), também com mais de três milhões de votos, ajudou a eleger outros sete nomes para a Câmara dos Deputados.
Na reunião de quarta-feira, os dez partidos também divulgaram apoio à tentativa de Motta de permanecer na presidência da Câmara. As legendas somam 252 deputados na próxima legislatura, cinco a menos que os 257 necessários para formar maioria absoluta. Motta disse que os partidos de centro precisam entender como sobreviver na “selva política” após a onda de direita; a nota conjunta afirmou que o grupo atuará unido na próxima legislatura.
Para entender
- Sistema proporcional de lista aberta
- No modelo usado nas eleições para deputados e vereadores, os votos dos candidatos de cada partido ou federação são somados para calcular as cadeiras do grupo. Depois, as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados que atendam ao desempenho mínimo exigido.
- Voto distrital misto
- Sistema que combina a eleição de representantes por distritos, em que vence o candidato mais votado, com a distribuição de outras cadeiras segundo os votos recebidos pelos partidos. A parcela partidária pode usar listas abertas ou fechadas.
- Distritão
- Modelo em que as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados, sem considerar a votação total de cada partido para determinar quantas cadeiras ele recebe. No Brasil, a adoção exigiria uma mudança na Constituição.