Cartas com pó branco atingem políticos e escritórios eleitorais nos EUA
FBI e Serviço Postal investigam mais de 100 envios em ao menos 20 estados; testes iniciais deram negativo para substâncias tóxicas.
Resumo em 30 segundos
Mais de 100 cartas com pó branco não identificado foram enviadas a políticos e escritórios eleitorais nos Estados Unidos desde quinta-feira. As correspondências chegaram a pelo menos 20 estados, e algumas continham ameaças. FBI e Serviço Postal investigam os envios; amostras examinadas até agora tiveram resultado negativo para substâncias tóxicas.
Mais de 100 cartas com um pó branco ainda não identificado foram enviadas a senadores, deputados e escritórios eleitorais nos Estados Unidos desde quinta-feira (15), quando o FBI, a polícia federal americana, informou sobre o primeiro caso. A investigação é conduzida em conjunto com o Serviço Postal dos Estados Unidos, e as correspondências chegaram a destinatários de pelo menos 20 estados.
Entre os políticos que receberam cartas estão os senadores Ted Cruz, republicano do Texas, e Susan Collins, republicana do Maine. A senadora democrata Amy Klobuchar, candidata ao governo de Minnesota, também foi alvo. Diversos envelopes traziam no selo a frase “pensando em você”, enquanto uma carta recebida pelo escritório distrital do deputado democrata Mike Quigley, em Chicago, continha ameaças políticas, segundo ele.
O FBI identificou características semelhantes entre as correspondências: elas teriam passado por um centro de processamento no norte do Texas, e os endereços de remetente foram escritos à mão e indicavam um estabelecimento de impressão em Nova York. As autoridades ainda não determinaram quem enviou as cartas nem qual seria a motivação.
O Senado informou que as amostras examinadas até agora tiveram resultado negativo para substâncias tóxicas. Em Connecticut, porém, um funcionário do deputado Joe Courtney teve contato com pó branco desconhecido e recebeu atendimento médico, conforme informou uma rádio local. No Arizona, a equipe do secretário de Estado precisou deixar o escritório na quinta-feira após receber uma correspondência; a substância foi considerada não tóxica no dia seguinte.
A Polícia do Capitólio alertou parlamentares para o risco de novas entregas, sobretudo em escritórios distritais, localizados nos estados de origem dos congressistas. Como funcionários dessas unidades podem abrir as cartas, as autoridades temem que uma ameaça se espalhe para além de Washington. Ainda não está claro se todas as amostras são inofensivas ou se os envios continuam.
O caso lembra os ataques com antraz pelo correio em 2001, quando esporos da bactéria foram enviados em pó branco e expuseram dezenas de pessoas. Cinco morreram, e o episódio provocou temor nos Estados Unidos pouco depois dos atentados de 11 de setembro. Em 2023, também foram enviados envelopes com pó a escritórios eleitorais; autoridades confirmaram que parte deles continha fentanil, droga associada a overdoses fatais.
As novas cartas surgem em meio ao aumento de ameaças e intimidações relatado por funcionários envolvidos na organização das eleições americanas de novembro. Os destinatários incluem integrantes dos dois principais partidos do país, mas ainda não há informação sobre uma motivação comum ou sobre a identificação de suspeitos.