Engenheiro da OpenAI é acusado de instalar gravador em reunião
Abdulrahman Alfozan compareceu a um juiz federal e pode pegar até cinco anos de prisão; a empresa afirma não ter encontrado dados de clientes acessados.
Resumo em 30 segundos
O engenheiro da OpenAI Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, foi preso nos Estados Unidos e acusado de interceptação de comunicações. Um gravador foi encontrado conectado a uma televisão em uma sala de reuniões da empresa, em San Francisco. As autoridades ainda não sabem o que o aparelho registrou ou transmitiu. A OpenAI demitiu o funcionário.
O engenheiro da OpenAI Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, foi preso nos Estados Unidos sob suspeita de instalar um gravador em uma sala de reuniões da empresa em San Francisco, na Califórnia. O Departamento de Justiça informou que ele foi acusado de interceptação de comunicações e compareceu a um juiz federal nesta terça-feira, 13 de outubro.
A equipe de segurança da OpenAI encontrou o aparelho em 30 de setembro, conectado à entrada USB na parte traseira de uma televisão. O dispositivo estava coberto por papel higiênico e teria sido instalado para registrar reuniões, incluindo encontros confidenciais sobre negócios e estratégias da companhia, criadora do ChatGPT.
Segundo o Departamento de Justiça, Alfozan também teria tentado colocar gravadores em outros locais. Durante uma inspeção, a equipe de segurança encontrou um segundo aparelho, parecido com o primeiro, em uma bolsa atribuída ao engenheiro. A mochila também continha a carteira e um documento de identificação dele.
As autoridades afirmaram que ainda não determinaram quais informações o aparelho conseguiu gravar ou transmitir, nem para onde os dados poderiam ter sido enviados. O conteúdo estava criptografado, o que dificulta a identificação do material. A OpenAI disse que não encontrou indícios de acesso indevido ou retirada de informações sobre modelos de inteligência artificial, código-fonte ou dados de clientes. A empresa demitiu Alfozan.
Câmeras de segurança e ferramentas internas de inteligência artificial ajudaram a identificar o funcionário e reunir evidências, segundo as informações divulgadas pelas autoridades. O Departamento de Justiça também afirmou que ele teria usado uma ferramenta de produtividade para consultar dados sobre prédios, salas de reunião, calendários, horários e localização de pessoas.
Alfozan entrou na OpenAI em 2025. Antes, trabalhou na Meta e teve passagem como estagiário pela Microsoft, além de atuar em uma startup de inteligência artificial e em uma empresa de capital de risco. Uma conta de chatbot associada à mulher dele continha perguntas sobre gravação remota de áudio e criptografia de cartões de memória, segundo o Departamento de Justiça.
A acusação de interceptação de comunicações pode resultar em pena máxima de cinco anos de prisão, multa de US$ 250 mil e até três anos de liberdade supervisionada, caso haja condenação. Alfozan deve comparecer a um tribunal federal em 19 de outubro.