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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Bispos dos EUA pedem manutenção do TPS para ucranianos e salvadorenhos

O DHS manterá as proteções e autorizações de trabalho até uma decisão final, sem prazo anunciado; cerca de 270 mil pessoas podem ser afetadas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bispos e famílias imigrantes conversam em uma sala comunitária sobre proteções migratórias. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bispos e famílias imigrantes conversam em uma sala comunitária sobre proteções migratórias.
Resumo em 30 segundos

Bispos católicos dos Estados Unidos pedem que o governo mantenha o TPS para ucranianos e salvadorenhos. O DHS informou que os dois grupos continuarão protegidos até uma decisão final, mas não anunciou uma data. A USCCB estima que cerca de 270 mil pessoas têm o status e podem ser afetadas pelo futuro das designações.

Bispos católicos dos Estados Unidos pediram ao governo que mantenha as proteções migratórias de ucranianos e salvadorenhos beneficiados pelo Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês). Sem uma decisão definitiva sobre a continuidade das designações, cerca de 270 mil pessoas podem ficar expostas à deportação e à separação de suas famílias, segundo estimativas citadas pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável por decidir se o TPS será estendido ou encerrado, afirmou em 22 de outubro que os dois grupos continuarão protegidos pelo programa até a divulgação de uma decisão final. A declaração mantém também as autorizações de trabalho vinculadas ao status, mas não informa quando o governo anunciará o futuro das designações.

Em 19 de outubro, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) informou que os ucranianos manteriam as proteções enquanto aguardam um anúncio em momento oportuno. A agência publicou uma comunicação semelhante sobre os salvadorenhos depois que o prazo de expiração da designação, em 9 de setembro, passou sem uma decisão final.

O TPS permite que cidadãos de países considerados inseguros para o retorno permaneçam temporariamente nos Estados Unidos e obtenham autorização para trabalhar. A proteção pode ser concedida diante de conflitos armados, desastres ambientais ou outras condições extraordinárias. Ela não equivale, por si só, a residência permanente ou cidadania.

A USCCB estima que mais de 170 mil salvadorenhos e cerca de 100 mil ucranianos têm TPS. Os bispos pediram que o governo considere as condições nos países de origem e os riscos de uma repatriação forçada. Também defenderam que as decisões sejam comunicadas com antecedência para que famílias, empregadores e comunidades possam se preparar.

A designação de El Salvador começou em 2001, após terremotos devastadores, e foi renovada repetidamente. Os Estados Unidos concederam TPS aos ucranianos pela primeira vez em abril de 2022, após a invasão russa em larga escala, iniciada em 24 de fevereiro daquele ano. As Nações Unidas verificaram mais de 13 mil mortes de civis na Ucrânia e alertaram que o total real provavelmente é maior.

O arcebispo Borys Gudziak, da Arquieparquia Católica Ucraniana da Filadélfia e presidente eleito do Comitê de Justiça e Paz Internacional da USCCB, disse que muitos ucranianos protegidos pelo programa não têm casa para onde voltar. Em comunicado, os bispos também afirmaram que, nos últimos meses, o DHS encerrou designações de TPS para vários países, mesmo com condições que poderiam tornar o retorno inseguro ou impraticável.

O governo Trump iniciou, desde 2025, medidas para encerrar o TPS de pessoas de mais de uma dúzia de países. A proteção dos haitianos terminou em 27 de julho, enquanto a do Líbano está prevista para acabar em 27 de novembro. A USCCB afirmou que a falta de aviso formal sobre os salvadorenhos deixa comunidades em situação de incerteza.

Lizbeth Iniguez, advogada de imigração da Alba Law, em Long Beach, na Califórnia, disse que ouve medo entre salvadorenhos e que, por enquanto, só pode orientá-los sobre como se preparar. David Spicer, diretor de políticas e engajamento da USCCB, afirmou que organizações da Igreja registram aumento na procura por ajuda alimentar e habitacional, enquanto famílias enfrentam a possibilidade de perder proteção legal e autorização para trabalhar.

Os bispos também apoiam projetos legislativos para criar caminhos de residência permanente para alguns imigrantes que vivem há muito tempo nos Estados Unidos. O projeto H.R. 1589, patrocinado pela deputada Sylvia Garcia, democrata do Texas, prevê alternativas para determinados jovens levados ao país ainda crianças e para pessoas com proteções temporárias, além de ampliar o acesso a green cards para alguns beneficiários do TPS e da Partida Forçada Adiada.

Outra proposta, o H.R. 10740, foi apresentada à Câmara dos Representantes em 5 de outubro e estenderia o TPS para ucranianos elegíveis até 1º de julho de 2029. Em abril, a Câmara aprovou o H.R. 1689, que ampliaria por três anos a proteção dos haitianos, mas, segundo a USCCB, nenhuma dessas iniciativas avançou no Senado.

Fontes: Gazeta do Povo

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