Bispos dos EUA criticam uso político de vídeo com Trump
A Casa Branca publicou imagens de uma oração no Salão Oval em 22 de outubro, sem informar a pauta da reunião com cerca de uma dúzia de bispos.
Resumo em 30 segundos
Bispos católicos dos Estados Unidos criticaram o uso político de um vídeo de uma reunião com Donald Trump na Casa Branca. Jeffrey Grob pediu desculpas pela confusão causada pelas imagens, e William Joensen lamentou que o encontro tivesse sido usado para fins partidários. Os religiosos dizem que a oração não foi um endosso ao presidente.
Bispos católicos dos Estados Unidos criticaram o uso político de uma reunião com o presidente Donald Trump na Casa Branca, realizada na semana passada. O encontro, no Salão Oval, incluiu uma oração e conversas sobre temas de interesse da Igreja; depois, um vídeo da cerimônia foi divulgado sem explicação sobre a pauta discutida.
O arcebispo de Milwaukee, Jeffrey Grob, pediu desculpas publicamente em 25 de outubro por qualquer confusão causada pelas imagens. Ele afirmou que não sabia que o vídeo seria publicado e ressaltou que sua participação não representava um apoio político a Trump.
O bispo de Des Moines, William Joensen, também lamentou que a reunião tivesse sido usada para fins partidários. Em declaração divulgada em 24 de outubro, disse que gostaria de ter sido “mais prudente e menos simples” diante daqueles que exploraram o encontro. Joensen não identificou quem acusava de fazer esse uso.
A Casa Branca publicou o vídeo em 22 de outubro. As imagens mostram o arcebispo de Denver, James Golka, conduzindo uma oração com Trump, ao lado de cerca de uma dúzia de bispos, da conselheira espiritual do presidente, Paula White-Cain, e da diretora do Escritório de Fé da Casa Branca, Jennifer Korn. A divulgação não veio acompanhada de comunicado sobre os assuntos tratados.
Os bispos disseram que foram convidados pelo Escritório de Fé para conversar sobre questões como liberdade religiosa, imigração, direito à vida e escolha de escolas. Joensen afirmou que também tratou da exploração dos pobres, de vistos para clérigos estrangeiros e do apoio à educação privada. A oração, segundo os religiosos, foi feita para pedir orientação a Deus para o presidente, e não para endossá-lo.
Outros participantes também explicaram os motivos da presença. O bispo Scott Bullock, de Rapid City, disse que a delegação discutiu aborto, escolha de escola e implicações éticas da fertilização in vitro. A declaração do escritório do arcebispo emérito Joseph Naumann informou que ele abordou aborto químico, fertilização in vitro, imigração e liberdade religiosa. O grupo afirmou ter recebido garantias de que fotos não seriam divulgadas.
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) não participou da organização. Em declarações sobre o caso, a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, defendeu o histórico de Trump em relação aos católicos, citando medidas sobre liberdade religiosa, perdões a ativistas pró-vida e direitos dos pais. Ela não respondeu diretamente às críticas de Grob e Joensen sobre a divulgação do vídeo.