Bispos dos EUA contestam mudanças previstas para o censo de 2030
Em carta ao Departamento de Comércio, a Igreja critica a exclusão de imigrantes sem residência permanente e a retirada de perguntas demográficas do questionário.
Resumo em 30 segundos
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos se opõe a mudanças propostas para o censo de 2030. A entidade critica limitar a contagem para a divisão de cadeiras no Congresso a cidadãos e residentes permanentes legais e retirar perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual. Os bispos alertam para possíveis impactos na representação e na distribuição de recursos federais.
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos se opôs às mudanças propostas para o censo de 2030, que restringiriam a contagem usada para dividir cadeiras no Congresso a cidadãos e residentes permanentes legais. Em carta ao Departamento de Comércio, a entidade afirmou que excluir imigrantes sem status de residência permanente fere a dignidade humana e pode distorcer a distribuição de recursos federais.
Os bispos compararam a proposta ao Compromisso dos Três Quintos, regra da época da escravidão que não reconhecia pessoas escravizadas como indivíduos plenamente na contagem. A Igreja sustenta que todos os habitantes devem ser considerados no levantamento, independentemente de sua situação migratória.
O Departamento do Censo defende que pessoas em situação irregular não devem ser incluídas no cálculo das cadeiras legislativas porque, segundo a justificativa apresentada, não seriam habitantes verdadeiros nem integrantes do corpo político do país. A proposta também prevê o uso de registros fiscais para determinar a residência habitual de cada pessoa entre janeiro e abril, limitando a contagem a quem tem status migratório legal.
A contagem do censo serve para definir a distribuição de cadeiras na Câmara dos Representantes entre os estados e orientar a alocação de verbas federais. Os dados populacionais também são usados no planejamento de serviços, como saúde, infraestrutura e programas de combate à pobreza. Por isso, os bispos alertam que deixar moradores de fora pode levar a uma subcontagem e reduzir recursos destinados às comunidades onde vivem.
A entidade também criticou a intenção de retirar do questionário perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual. O Departamento do Censo propõe eliminá-las para elevar a participação e proteger a privacidade dos entrevistados.
Como alternativa, os bispos sugerem manter as perguntas e acrescentar a opção “prefiro não divulgar”. Para a Igreja, informações demográficas ajudam a identificar desigualdades associadas ao racismo e a compreender as necessidades de diferentes comunidades. Sem esses dados, argumenta a entidade, governos e ministérios católicos podem ter mais dificuldade para direcionar serviços e políticas.
A proposta altera uma prática que, segundo a entidade, é seguida desde o primeiro censo dos Estados Unidos, realizado em 1790. A contagem decenal é usada para retratar a população do país; a redistribuição das cadeiras do Congresso entre os estados, por sua vez, depende dos dados populacionais. A disputa envolve, portanto, tanto a representação política quanto o cálculo das necessidades locais para a distribuição de recursos públicos.