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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Base aérea de Taura recebe voos militares dos EUA e passa por obras

Instalação fica perto de Guayaquil e recebeu cerca de 20 voos desde junho; imagens de satélite mostram tendas, remoção de vegetação e uma nova estrutura.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Aeronaves militares e tendas próximas à pista de uma base aérea cercada por vegetação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Aeronaves militares e tendas próximas à pista de uma base aérea cercada por vegetação.
Resumo em 30 segundos

A base aérea de Taura, no Equador, recebeu cerca de 20 voos militares dos Estados Unidos desde junho, em meio a obras de ampliação. A movimentação ocorre durante uma nova fase de cooperação antidrogas entre os países e após eleitores equatorianos rejeitarem, em referendo, a instalação de bases estrangeiras.

A base aérea de Taura, no Equador, recebeu cerca de 20 voos militares dos Estados Unidos desde junho, enquanto obras ampliam a instalação para apoiar a cooperação antidrogas entre Washington e Quito. A estrutura fica perto de Guayaquil, a cerca de uma hora da cidade, e é a única base aérea equatoriana destinada exclusivamente a operações militares.

Os voos envolveram aproximadamente dez aeronaves da Força Aérea e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, entre elas aviões de transporte C-17 Globemaster e C-130 Hercules, aeronaves híbridas V-22 Osprey e helicópteros Black Hawk. Registros de tráfego aéreo apontam ligações entre Taura e instalações militares nos Estados Unidos, com escalas em Porto Rico e no Panamá.

Imagens de satélite mostram mudanças na base desde pelo menos agosto, possivelmente iniciadas em julho. Foram removidos trechos de vegetação próximos à pista principal e às vias internas, e dezenas de tendas foram instaladas entre o fim de junho e meados de outubro. Uma estrutura de cerca de 40 metros por 20 metros também foi erguida; o formato é semelhante ao de um hangar desmontável que pode ser usado para manutenção de aeronaves.

A instalação tem mais de 70 anos de história e uma pista com mais de 3 mil metros, mais longa que a do aeroporto de Guayaquil. Caminhões de construção foram vistos entrando e saindo da área, que é vigiada por militares. As tendas podem servir para armazenamento, apoio logístico ou alojamento, enquanto aeronaves de transporte desse porte são capazes de deslocar tropas e equipamentos.

A movimentação ocorre após o Equador e os Estados Unidos anunciarem uma nova fase de cooperação contra o narcotráfico. Em agosto, o ministro da Defesa equatoriano informou que três helicópteros Black Hawk seriam enviados pelos EUA. Dois desses helicópteros foram detectados em Taura em julho e no início de setembro. No mês seguinte, o presidente Daniel Noboa disse que o país colocaria em operação dois drones MQ-9 Reaper, usados em missões de vigilância e ataque.

Em setembro, Noboa afirmou que trabalhava com os Estados Unidos, o Brasil e a União Europeia para concentrar em Taura “qualquer tipo de cooperação” internacional. O presidente disse que pretendia melhorar as pistas para operações conjuntas e defendeu a transferência das atividades para uma base que não divide operações com um aeroporto civil, mas fica em uma região com altos índices de criminalidade e homicídios.

A expansão suscitou dúvidas sobre a legalidade da presença de militares estrangeiros. Menos de um ano antes, eleitores equatorianos haviam rejeitado, em referendo, a possibilidade de instalar bases militares estrangeiras no país. No início de setembro, o então comandante da Força Aérea, Mauricio Salazar, pediu esclarecimentos às Forças Armadas sobre o marco legal para receber militares de outros países sem violar a Constituição. Ele foi afastado do comando e designado para outra função de menor patente; não há indicação de que as duas decisões tenham relação direta.

O coronel reformado da Força Aérea equatoriana Roberto Marchán avaliou que os aviões e as mudanças na infraestrutura podem sustentar operações de longo prazo. Segundo ele, as aeronaves de transporte permitem movimentar rapidamente tropas e equipamentos pela região andina, e as novas estruturas podem oferecer suporte logístico e manutenção. Marchán também disse haver descontentamento entre militares, embora, segundo ele, alguns evitem manifestá-lo por respeito à instituição e receio de prejudicar oportunidades de promoção.

O Pentágono encaminhou perguntas sobre a presença americana ao Comando Sul dos Estados Unidos, que não havia respondido imediatamente. A Força Aérea equatoriana também não havia se pronunciado até a divulgação das informações.

O Equador integra o Escudo das Américas, aliança de segurança e combate ao narcotráfico promovida pelo governo de Donald Trump e formada por cerca de 20 países da região. Os Estados Unidos mantiveram uma base em Manta, porto pesqueiro equatoriano, por uma década, até 2009, quando o governo equatoriano encerrou o acordo. A instalação abrigava centenas de militares americanos e organizações de direitos humanos denunciaram abusos cometidos por militares dos EUA.

A poucos quilômetros da base fica o povoado de Taura, com mais de 9,4 mil habitantes. Moradores relatam preocupação com a violência e mudanças no cotidiano: uma comerciante disse que o centro médico dentro da instalação deixou de atender o público, enquanto outros veem com bons olhos a chegada de militares estrangeiros. O povoado também foi cenário, no ano passado, da localização dos corpos de quatro crianças torturadas, assassinadas e carbonizadas; o caso, que envolveu militares, abalou o país.

Fontes: O Globo, Zero Hora

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