Binance cobre 90% das perdas após ataque hacker
A corretora reservou mais de US$ 6,34 bilhões para compensar os ativos afetados e afirma que os usuários não arcarão com o prejuízo.
Resumo em 30 segundos
A Binance informou que cobriu 90% das perdas provocadas por um ataque cibernético que afetou cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A empresa afirma que os usuários não terão prejuízo e que continua comprando os tokens restantes. A investigação sobre a invasão e seus responsáveis segue em andamento.
A Binance informou neste sábado, 31, que já cobriu 90% das perdas causadas por um ataque cibernético identificado na quinta-feira, 29. A empresa afirmou que reservou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para compensar os valores afetados e que os usuários não arcarão com o prejuízo.
A corretora disse que os ativos BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC estão totalmente garantidos. Para completar a reposição, a empresa continuará comprando os tokens restantes em operações nos mercados e no balcão, modalidade conhecida como OTC, até que a cobertura chegue a 100%.
A recomposição usa recursos do Secure Asset Fund for Users (SAFU), fundo de proteção criado pela Binance em julho de 2018, e do seguro para operações de futuros. O SAFU foi estabelecido para proteger os ativos dos clientes em situações extremas, como falhas de segurança ou incidentes na plataforma. A Binance disse que pretende reabastecer o fundo até que ele volte a aproximadamente US$ 1 bilhão.
O ataque afetou cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais, o equivalente a aproximadamente R$ 33 bilhões. A empresa informou que conseguiu congelar cerca de US$ 3 bilhões e segue investigando como os invasores obtiveram acesso aos sistemas. A Binance também declarou não ter encontrado evidências de que as chaves privadas das carteiras tenham sido expostas. Essas chaves autorizam transferências de criptomoedas.
A corretora afirmou que a invasão foi complexa e que atua com forças de segurança, empresas de análise de blockchain e parceiros do setor. A empresa ainda não confirmou quem realizou o ataque nem esclareceu o método usado. No início, avaliou que o comprometimento de um computador portátil poderia ter facilitado a invasão, mas a apuração posterior identificou outros pontos vulneráveis.
A empresa de inteligência em blockchain TRM Labs atribuiu o ataque, com alto grau de confiança, ao grupo TraderTraitor, associado ao governo da Coreia do Norte. Essa atribuição, porém, não foi confirmada pela Binance. A investigação continua para identificar os responsáveis e tentar bloquear outros ativos.
A notícia do ataque foi acompanhada por queda nos preços de diversas criptomoedas importantes, enquanto stablecoins, que buscam manter paridade com moedas tradicionais como o dólar, permaneceram praticamente estáveis. O caso também voltou a chamar atenção para os riscos de segurança de plataformas que custodiam grandes volumes de ativos digitais.