Bancada do PL na Alerj se distancia de Flávio após viagem
Deputados do PL evitaram falar sobre o senador na sessão desta terça-feira, enquanto parlamentares relataram preocupação com os efeitos políticos da saída do país.
Resumo em 30 segundos
Deputados do PL na Alerj evitaram comentar publicamente a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e demonstraram preocupação reservadamente com a repercussão política. O senador viajou apesar de uma ordem para não deixar o Brasil. A Polícia Federal cancelou seus passaportes, e parlamentares do PT pediram sua prisão preventiva e inclusão na difusão vermelha da Interpol.
A possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil gerou desconforto entre deputados do PL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), durante a primeira sessão plenária após o segundo turno das eleições, nesta terça-feira. Embora parlamentares tenham evitado comentar o episódio em público, integrantes da bancada demonstraram preocupação reservadamente com seus efeitos políticos e sinalizaram distanciamento do senador.
A sessão ocorreu com o plenário cheio, mas o tema não foi levado à tribuna pelos deputados do PL. A deputada Índia Armelau, uma das principais representantes do bolsonarismo na Casa, compareceu, mas não discursou sobre a viagem. Anderson Moraes, próximo à família Bolsonaro, também permaneceu reservado. O presidente da Alerj, Douglas Ruas, não participou dos trabalhos porque voltava de Brasília para o Rio.
O silêncio contrastou com as manifestações de parlamentares do PSOL, do PT e do PCdoB, que celebraram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e defenderam o reconhecimento do resultado eleitoral. Renata Souza, do PSOL, afirmou que a decisão da maioria deve ser respeitada e associou a legitimidade do Parlamento à confiança no processo democrático.
Flávio Serafini, também do PSOL, relacionou a vitória de Lula ao legado dos governos petistas no combate à desigualdade. Já Renan Jordy, do PL, parabenizou o presidente eleito em tom irônico e afirmou que os próximos quatro anos seriam marcados, segundo sua avaliação, por aumento do feminicídio, da corrupção e dos prejuízos de empresas públicas. Ele também mencionou a discussão sobre classificar facções criminosas como organizações terroristas.
O mal-estar na bancada ocorre após a viagem do senador aos Estados Unidos, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse os passaportes e não deixasse o país. Flávio é investigado, junto com o advogado Willer Tomaz, por suspeita de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal cancelou os passaportes do senador nesta terça-feira, segundo informações divulgadas sobre o caso.
Parlamentares do PT também pediram ao STF a prisão preventiva de Flávio e sua inclusão na difusão vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional usado para localizar pessoas procuradas. O pedido foi dirigido a Moraes e ainda depende de decisão do ministro. Os autores também solicitaram providências para identificar os ocupantes e responsáveis por um voo da empresa Baires Fly, além de informações sobre o possível trajeto do senador.
Na Alerj, a reação pública da bancada do PL ficou restrita ao silêncio sobre a situação de Flávio. Nos bastidores, a preocupação relatada por parlamentares é que a saída do senador do país afete a imagem do grupo político fluminense.