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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

PL reconhece resultado da eleição e Flávio prepara ação contra Lula

Após alterar a nota oficial de Valdemar Costa Neto, o partido reconheceu o resultado proclamado pelo TSE; Flávio diz que pedirá a cassação da chapa.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urna eleitoral diante de um prédio da Justiça Eleitoral. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urna eleitoral diante de um prédio da Justiça Eleitoral.
Resumo em 30 segundos

O PL reconheceu o resultado da eleição presidencial vencida por Lula, após alterar uma nota assinada por Valdemar Costa Neto. Flávio Bolsonaro afirmou que pretende pedir ao TSE a cassação da chapa por abuso de poder político e econômico. A contestação deve mirar medidas de campanha, não as urnas ou a apuração.

O Partido Liberal (PL) reconheceu nesta segunda-feira, 26, o resultado da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de alterar uma nota divulgada nas redes sociais. No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado, afirmou que pretende organizar a oposição no Congresso e pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.

A primeira versão da nota, assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dizia que o partido reconhecia “a dimensão do resultado presidencial”. O trecho foi substituído por uma declaração explícita de que a sigla reconhecia o resultado proclamado pelo TSE. A legenda não parabenizou Lula, mas afirmou que os questionamentos levantados após a votação devem ser esclarecidos em um debate político equilibrado e democrático.

A mudança ocorreu um dia depois de Flávio dizer que não reconheceria o resultado e que pediria a anulação da eleição. Na noite de domingo, 25, o senador declarou que considerava “impossível” aceitar o resultado. Nesta segunda, porém, divulgou um vídeo em que não reconheceu a derrota de forma direta, mas disse que teve menos votos que o adversário e que pretende contestar a campanha rival, não as urnas nem a apuração.

“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou”, afirmou Flávio. O senador apontou medidas adotadas pelo governo na reta final da campanha, como o aumento do Bolsa Família e iniciativas relacionadas a dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), como possíveis fundamentos da ação.

Uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) é um processo usado para apurar abuso de poder político ou econômico durante uma campanha. Se a Justiça Eleitoral concluir que houve irregularidade grave e com influência no pleito, pode aplicar sanções à chapa. A pretensão anunciada por Flávio, no entanto, é diferente do pedido de anulação que ele havia mencionado no domingo: a contestação deve mirar atos atribuídos à campanha adversária, e não a validade geral da votação.

O senador também criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender até as 19h a votação em locais onde ainda havia eleitores aguardando para votar. Flávio disse que o domingo “não foi normal”, mas a direção do PL não incluiu a prorrogação do horário nem uma alegação de fraude na linha de contestação que pretende adotar.

No vídeo, Flávio afirmou que vai reunir deputados e senadores eleitos para definir a atuação da oposição. Disse que pretende transformar a Câmara e o Senado em uma “fortaleza” contra o governo Lula e que a direita conquistou maioria nas duas Casas. O PL informou que elegeu 121 deputados federais, 18 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores.

Lula recebeu 64 milhões de votos no segundo turno, contra 59 milhões de Flávio, segundo os números divulgados. A nota de Valdemar destacou o desempenho do partido nas eleições legislativas e estaduais e afirmou que o PL atuará com independência e responsabilidade na defesa da democracia, da liberdade e dos valores da sigla.

A mudança de postura do senador ocorreu após conversas com integrantes da campanha e dirigentes do partido, que defenderam não sustentar uma tese de fraude. Entre os interlocutores citados estão o senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e advogados liderados pela ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri. Aliados de Flávio também disseram acreditar que ele não mudaria o discurso sem o aval do pai, Jair Bolsonaro.

A estratégia anunciada concentra-se em questionar medidas de campanha que Flávio considera abusivas. O senador citou, entre outros pontos, benefícios sociais, mensagens sobre quitação de dívidas para MEIs e a atuação de uma estrutura de comunicação ligada ao deputado André Janones. A contestação ainda deve ser apresentada à Justiça Eleitoral, que avaliará os argumentos e as provas antes de decidir se houve irregularidade capaz de justificar a cassação da chapa.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico, Estadão

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