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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

B3 aciona circuit breaker na Bolsa após reeleição de Lula

Após a pausa, o Ibovespa caiu 16,8%; estrategista vê risco de novas suspensões e diz que sinais sobre as contas públicas vão orientar o mercado.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Operadores acompanham uma sessão volátil na Bolsa de valores. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Operadores acompanham uma sessão volátil na Bolsa de valores.
Resumo em 30 segundos

A B3 acionou o circuit breaker após a forte queda das ações, em reação à reeleição de Lula. O Ibovespa recuou 16,8% após a interrupção, e o estrategista Raí Chicoli avalia que novas suspensões podem ocorrer enquanto investidores buscam referências para os preços. Ele aponta a política fiscal como fator central para os próximos dias.

A Bolsa brasileira acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26), interrompendo temporariamente as negociações após uma forte queda das ações, em reação à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Raí Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, avaliou que novas suspensões podem ocorrer enquanto o mercado busca referências para precificar os papéis.

O circuit breaker é um mecanismo que interrompe os negócios por um período quando há oscilações intensas, para conter movimentos abruptos e permitir que o mercado assimile as informações. Na B3, a ferramenta foi acionada pela primeira vez desde 2020, durante a pandemia. Por volta das 10h48, após a pausa, o Ibovespa registrava queda de 16,8%, aos 170,4 mil pontos, e às 12h recuava mais de 16%.

Chicoli afirmou que ordens automáticas de venda podem ampliar a pressão sobre os preços, ao desencadear novas vendas. Ele não interpretou o movimento como uma queda estrutural, mas como um ajuste pontual após a valorização de mais de 7,7% da Bolsa depois do resultado do primeiro turno. Na ocasião, o mercado também foi surpreendido pelo resultado, mas o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecia em vantagem e era visto como mais propenso a ajustar as contas públicas.

Na avaliação do estrategista, pode levar alguns dias até que os investidores encontrem um novo patamar de preços. Uma queda acentuada em um pregão, disse, não determina que a tendência continuará: o mercado pode se recuperar caso avalie que exagerou na reação, ou seguir recuando antes de voltar a subir.

Diante da volatilidade, Chicoli recomendou evitar decisões impulsivas. “Nesse momento você não sabe nem se está vendendo caro ou se está vendendo barato”, afirmou. Segundo ele, escolhas devem levar em conta o perfil de risco de cada investidor, já que uma decisão precipitada pode prejudicar a análise.

O rumo da política fiscal será, segundo o estrategista, um dos principais fatores para os preços nos próximos dias. Sinais sobre a agenda fiscal, a regra de crescimento das despesas e a composição da equipe econômica podem orientar a direção do mercado. Entre as medidas que poderiam influenciar a avaliação dos investidores, ele citou limitar despesas fora do teto fiscal, restringir o avanço dos gastos e reduzir o crédito subsidiado.

Chicoli disse que o mercado não espera necessariamente um ajuste imediato, mas precisa de uma indicação confiável de controle das despesas. A reação dos ativos dependerá, portanto, das decisões e sinalizações do governo sobre as contas públicas, enquanto os investidores tentam reavaliar o risco e os preços após o resultado eleitoral.

Fontes: Estadão

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