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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

União Europeia e China acertam limites para carros híbridos chineses

O entendimento pode reduzir em vários milhões as importações ao longo de quatro anos; Maroš Šefčovič não detalhou como a medida será aplicada.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Carros híbridos sendo carregados em um navio de transporte em um porto chinês. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Carros híbridos sendo carregados em um navio de transporte em um porto chinês.
Resumo em 30 segundos

União Europeia e China chegaram a um entendimento para moderar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in ao bloco. O acerto foi firmado em negociações em Pequim e pode reduzir as importações em vários milhões de automóveis em quatro anos. As partes também trataram de terras raras, licenças de exportação e acesso a mercados.

A União Europeia (UE) e a China chegaram a um entendimento para moderar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in ao bloco, após negociações realizadas em Pequim nos dias 8 e 9 de outubro. O comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, afirmou nesta sexta-feira que o acordo pode reduzir as importações em vários milhões de automóveis ao longo de quatro anos, mas não detalhou como será aplicado.

O entendimento foi alcançado na segunda reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento, conduzida por Šefčovič e pelo ministro chinês do Comércio, Wang Wentao. O comissário disse que foi a Pequim para iniciar o reequilíbrio da relação comercial e obter resultados concretos nas negociações. Segundo o governo chinês, Wang afirmou que a China não é a causa fundamental dos problemas comerciais da UE, mas pode ser parceira na busca de soluções.

A preocupação europeia com os automóveis chineses cresceu com o aumento das importações. As compras de híbridos plug-in pelo bloco subiram 86% no período de um ano até setembro, enquanto os preços recuaram 20%. Mais da metade dos veículos desse tipo importados pela UE agora vem da China; em 2025, a participação chinesa era de 30% em valor.

O acerto ocorre em meio a um desequilíbrio comercial que a Comissão Europeia considera crítico. No ano passado, o déficit da UE com a China custou ao bloco mais de 1 bilhão de euros por dia, segundo dados europeus. As exportações chinesas para a UE somaram US$ 560 bilhões, ante US$ 517 bilhões em 2024, enquanto as importações de produtos europeus pela China caíram de US$ 269,4 bilhões para US$ 268,3 bilhões.

Além dos veículos híbridos, os dois lados buscaram facilitar o comércio de terras raras e ímãs permanentes. Pequim afirmou que continuará a agilizar licenças de exportação desses materiais por meio de um mecanismo chamado “canal verde”. A UE, por sua vez, trabalhará com seus países-membros para acelerar a análise de casos prioritários de licenças para itens de uso dual — produtos que podem ter aplicação civil ou militar.

O entendimento também prevê notificações antecipadas antes da inclusão de produtos em listas de controle de exportação e mais transparência nos procedimentos para retirar itens dessas listas. Os lados concordaram ainda em discutir o acesso ao mercado chinês de produtos europeus, incluindo dispositivos médicos, cosméticos e medicamentos, e em tratar de questões ligadas ao Regulamento de Subsídios Estrangeiros da UE.

No setor de veículos elétricos, China e UE manterão as conversas sobre compromissos de preços e procedimentos de revisão ligados à investigação antissubsídios europeia. A investigação, iniciada em 2024, envolve as exportações chinesas de carros elétricos de baixo custo. Desde então, as divergências comerciais também alcançaram setores como conhaque, carne suína, laticínios e minerais críticos.

Os dois lados disseram que continuarão explorando a possibilidade de reduzir tarifas sobre determinados produtos, respeitando as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estabelece normas para o comércio internacional. Uma videoconferência ministerial está prevista para janeiro, e a terceira reunião regular do mecanismo de consultas deve ocorrer em março de 2027.

Para entender

Mecanismo de Consultas China-UE
Fórum de diálogo entre a China e a União Europeia sobre comércio e investimento. As reuniões reúnem representantes dos dois lados para discutir divergências e buscar entendimentos em temas como acesso a mercados, controles de exportação e relações comerciais.
Itens de uso dual
Produtos, tecnologias ou materiais que podem ter aplicações civis e também militares. Por esse possível uso, sua exportação pode estar sujeita a controles e licenças especiais.

Fontes: Valor Econômico, Estadão

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