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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Alberta apura consulta sobre referendo de independência

A votação não decide a separação do Canadá: indica se haverá um referendo vinculativo, e a apuração pode terminar na terça-feira.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em uma urna durante votação em Alberta. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Eleitor deposita uma cédula em uma urna durante votação em Alberta.
Resumo em 30 segundos

Alberta começou a contar os votos de uma consulta sobre a realização de um referendo vinculativo de independência. A primeira-ministra Danielle Smith afirmou que dará seguimento à votação se a maioria apoiar essa opção. A consulta não separa a província do Canadá, e a apuração pode avançar até as primeiras horas de terça-feira.

Alberta, província do oeste do Canadá, começou a contar nesta segunda-feira, 19 de outubro, os votos de uma consulta sobre a realização de um referendo vinculativo de independência. A votação mede o apoio à possibilidade de separação do país; a apuração pode terminar apenas nas primeiras horas de terça-feira, segundo o órgão eleitoral provincial, Elections Alberta.

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, disse que votou contra a independência, mas convocou a consulta para resolver uma questão que divide a província. Ela se comprometeu a dar seguimento a um referendo vinculativo se a maioria apoiar essa opção. Caso os eleitores rejeitem a proposta, Smith afirmou que o tema da separação deverá ser considerado encerrado.

A maioria dos locais de votação deveria fechar às 20h no horário local, 23h em Brasília. Mais de cem seções, porém, permaneceriam abertas além desse horário por causa de atrasos na abertura, informou o Elections Alberta. Dos 3,1 milhões de eleitores aptos, 1,4 milhão votaram antecipadamente; a contagem desses votos começou às 17h locais.

Pesquisas indicavam que menos de um quarto dos moradores apoiava a independência. Mitch Sylvestre, líder do Alberta Prosperity Project, grupo separatista que acompanhava a apuração em Edmonton, disse estar otimista. “Esperamos vencer”, afirmou.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, pediu que os moradores rejeitem a separação e disse que a consulta acontece em um momento especialmente difícil, em meio à disputa comercial com os Estados Unidos e a declarações do presidente Donald Trump sobre anexação. Carney, que cresceu em Alberta, também advertiu que uma votação não vinculativa poderia gerar incerteza econômica. Ele citou sua experiência durante o Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia, como motivo de preocupação com consequências econômicas imprevistas.

Sylvestre criticou a posição do premiê canadense e afirmou que a mensagem de Carney foi de que “votar contra o Canadá é perigoso”. “Acho isso extremamente irracional”, disse. Já Danielle Smith atribuiu o crescimento do separatismo ao governo de Justin Trudeau, antecessor de Carney, acusando-o de tentar limitar a produção de petróleo em nome de sua agenda climática.

Alberta tem as quartas maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e a insatisfação com a gestão do setor está entre os fatores que impulsionam o movimento separatista. A província e o governo federal também firmaram uma parceria para promover um novo oleoduto, destinado a ampliar as exportações de betume, um tipo de petróleo pesado extraído na região.

A possibilidade de separação despertou interesse entre aliados de Trump. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, chamou Alberta de “parceira natural” do país, enquanto Elon Musk escreveu no X que a província “deveria se separar”. Líderes separatistas também se reuniram com autoridades do Departamento de Estado e articuladores do Partido Republicano.

Entre os eleitores ouvidos em Edmonton, David Gallagher, de 58 anos, disse considerar a independência uma “ideia absurda” e afirmou que queria impedir que o movimento avançasse. Haley Erdegard, de 44 anos, defendeu a cooperação entre as províncias antes de qualquer tentativa de formar um novo país. A consulta desta segunda-feira não separa Alberta do Canadá: ela define se haverá uma votação posterior com caráter vinculativo.

Fontes: Estadão

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