Eleitores de Alberta votam sobre separação e referendo vinculativo
A consulta de dez perguntas não decide a independência: uma delas pergunta se o governo deve preparar um referendo vinculativo sobre a separação.
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Eleitores de Alberta votam na segunda-feira em uma consulta com dez perguntas sobre a relação da província com o Canadá. A votação não é um referendo vinculativo sobre a independência. O processo ocorre em meio a alegações de interferência estrangeira e a tensões entre Canadá e Estados Unidos.
Eleitores de Alberta, província do oeste do Canadá, votarão na segunda-feira (19) em uma consulta com dez perguntas, incluindo se a região deve continuar no país ou se o governo provincial deve preparar um referendo vinculativo sobre a separação. A votação ocorre em meio a tensões com os Estados Unidos e a alegações de possível interferência externa, que o governo canadense afirma estar monitorando.
A consulta não é, por si só, um referendo vinculativo sobre a independência. Uma das perguntas trata de o governo provincial tomar medidas para convocar uma votação futura que possa decidir a separação. Pesquisas citadas antes da votação indicam que a maioria dos moradores deve apoiar a permanência de Alberta no Canadá.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, relacionou as tentativas de separar a província a interesses de fora do país. Em um comício em Calgary, na quinta-feira (15), afirmou que há pessoas além das fronteiras canadenses trabalhando para dividir o país. “Há pessoas fora de nossas fronteiras trabalhando para nos fragmentar, para que sejam nossos donos”, disse.
Carney declarou neste mês que o governo acompanha alegações de interferência estrangeira no processo. Anton Boegman, comissário canadense para a Influência Estrangeira, afirmou que seu gabinete entrou em contato com dezenas de pessoas e grupos ligados à consulta. A suspeita ganhou força após a divulgação de que dirigentes do Projeto pela Prosperidade de Alberta, grupo separatista conhecido pela sigla APP, participaram de reuniões com autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington.
Jeff Rath, consultor jurídico do APP que esteve nos encontros, disse que os Estados Unidos veem “com grande entusiasmo a ideia de uma Alberta livre e independente”. Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que representantes da pasta se reúnem regularmente com integrantes da sociedade civil e que não houve compromisso assumido nas conversas.
A hipótese de interferência americana, porém, não é aceita de forma unânime entre os liberais, partido de Carney. O deputado Corey Hogan, que representa Alberta, disse à emissora CTV estar “de modo geral satisfeito por não haver uma grande pressão nesse sentido”. Ele acrescentou que os canadenses devem estar atentos ao interesse de outros países em suas eleições, incluindo Rússia.
A votação ocorre também durante uma disputa comercial entre Washington e Ottawa. Em agosto, o governo do presidente Donald Trump impôs novas tarifas a produtos canadenses. Em setembro, o governo Carney respondeu com sobretaxas de até 50% sobre produtos americanos que somam cerca de US$ 20 bilhões em importações anuais.
Trump voltou a defender a anexação do Canadá nesta semana, dizendo em um comício no Arizona que o país “acabará se tornando o 51º estado”. Carney também afirmou em setembro que poderia aceitar um convite para o Canadá se tornar membro associado da União Europeia. Trump ameaçou aplicar novas tarifas contra o Canadá e o bloco europeu caso a parceria avance.
A discussão sobre Alberta envolve, assim, tanto a relação da província com o governo federal canadense quanto o contexto de pressões externas e atritos entre os dois países. A consulta de segunda-feira medirá a posição dos eleitores, mas uma eventual separação dependeria de etapas políticas posteriores, começando pela decisão sobre a realização de um referendo vinculativo.
Para entender
- Alberta
- Província do oeste do Canadá, sem litoral, cuja economia inclui a exploração de petróleo e gás. Como outras províncias canadenses, tem governo e assembleia legislativa próprios, dentro da federação canadense.