Abdul El-Sayed vence Mike Rogers e chega ao Senado dos EUA
Eleito pelo Michigan, o democrata tomará posse em janeiro e será o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado americano.
Resumo em 30 segundos
Abdul El-Sayed venceu Mike Rogers na disputa pelo Senado dos Estados Unidos no Michigan. Médico e epidemiologista, o democrata defendeu cobertura universal de saúde, o fim da ajuda militar americana a Israel e a abolição do ICE. Sua campanha também foi marcada por críticas e acusações relacionadas à sua religião e às suas posições políticas.
O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, venceu o republicano Mike Rogers na eleição de terça-feira (3) para o Senado dos Estados Unidos pelo Michigan. Com a posse prevista para janeiro, será o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira na Casa e o primeiro senador de origem árabe do país, segundo as matérias que noticiaram o resultado.
Nascido e criado em Rochester Hills, no Michigan, El-Sayed é filho de imigrantes egípcios. Médico e epidemiologista, obteve doutorado em saúde pública, lecionou na área e dirigiu departamentos de saúde de Detroit e do Condado de Wayne, que também reuniam serviços humanos e para veteranos.
A candidatura foi marcada por propostas à esquerda do Partido Democrata e por divergências dentro da legenda. El-Sayed defendeu ampliar o acesso à saúde por meio de cobertura universal financiada pelo poder público, abolir o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e encerrar a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel. Ele também criticou o Comitê de Assuntos Públicos de Israel (AIPAC), organização de lobby que atua em Washington.
A guerra em Gaza ocupou lugar central na campanha. El-Sayed chamou de genocídio as ações israelenses no território e pediu o fim do apoio militar americano a Israel. Suas posições atraíram eleitores progressistas, mas enfrentaram resistência de democratas mais próximos da ala tradicional do partido.
Antes da eleição, ele derrotou a deputada federal Haley Stevens nas primárias democratas. Stevens, que havia disputado a indicação para concorrer ao Senado, declarou apoio a Rogers nos dias anteriores à votação. A disputa no Michigan também definiu a ocupação de uma vaga que ficou aberta após o democrata Gary Peters decidir não tentar a reeleição.
Republicanos acusaram El-Sayed de ter vínculos com a Irmandade Muçulmana, organização fundada no Egito. A alegação se baseou, entre outros pontos, em uma carta de 2012 em defesa da democracia egípcia e em publicações da irmã dele sobre a relação da família com o grupo. A carta não citava a Irmandade, e El-Sayed negou qualquer ligação com a organização.
O candidato também foi alvo de críticas do presidente Donald Trump e do vice-presidente J.D. Vance. Trump o chamou de extremista e o associou ao ativista Hasan Piker, que afirmou que os Estados Unidos “mereceram” os ataques de 11 de setembro de 2001. El-Sayed se distanciou dessa declaração. Vance criticou comentários do democrata sobre a lei islâmica, a Sharia; El-Sayed havia comparado propostas para proibi-la à remoção forçada de povos indígenas conhecida como Trilha das Lágrimas.
A eleição ocorre nas chamadas midterms, votações de meio de mandato em que os americanos escolhem representantes para o Congresso e cargos estaduais. A vitória de El-Sayed coloca no Senado um representante muçulmano e árabe-americano e leva ao Congresso um político cuja campanha questionou o apoio dos Estados Unidos a Israel e a influência de grandes organizações e doadores na política.
Para entender
- Midterms
- São as eleições realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Nelas, os eleitores escolhem integrantes do Congresso e podem votar também em cargos estaduais e locais.