Midterms 2026 põem Congresso dos EUA em disputa acirrada
A votação será em 3 de novembro; projeções da Cook Political Report apontam 21 disputas sem favorito na Câmara e sete no Senado.
Resumo em 30 segundos
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos ocorrem em 3 de novembro e podem mudar o controle do Congresso. A Cook Political Report projeta disputas competitivas em 21 cadeiras da Câmara e sete do Senado. Uma vitória democrata poderia limitar a agenda de Donald Trump e ampliar a fiscalização do governo, mas não tornaria provável sua destituição.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, serão realizadas em 3 de novembro e podem alterar o controle do Congresso, hoje dividido por pequenas maiorias republicanas. Estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, em votações que também podem afetar a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar sua agenda.
As midterms ocorrem no meio do mandato presidencial, e os eleitores escolhem representantes para o Congresso sem votar para presidente. O resultado define a composição das duas casas legislativas até a eleição seguinte. Se o partido do presidente perde espaço, a oposição pode dificultar a aprovação de projetos e controlar comissões, embora Trump continue no cargo.
Na Câmara, a Cook Political Report projeta vantagem democrata: 213 cadeiras tendem a ficar com o partido, contra 201 para os republicanos. As outras 21 são classificadas como disputas sem favorito claro, chamadas de “battlegrounds”. Entre os distritos nessa categoria estão os da Flórida, Michigan, Carolina do Norte, Ohio, Texas e Virgínia, além de outros em Arizona, Califórnia, Colorado, Iowa, Nova York, Pensilvânia e Wisconsin.
No Senado, a análise considera 13 cadeiras com tendência democrata e 15 com tendência republicana. Outras sete são apontadas como campos de batalha: Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio e Texas. Como a disputa envolve uma parcela menor das vagas, o resultado em poucos estados pode ser decisivo para determinar qual partido terá a maioria na casa.
O termo “battleground” descreve uma eleição competitiva na qual as projeções e o histórico eleitoral não apontam um vencedor provável. Não significa que o resultado esteja garantido ou que os demais distritos não tenham campanha; indica que essas disputas são consideradas especialmente incertas. As projeções podem mudar conforme a campanha avança e não equivalem ao resultado das urnas.
A disputa em Michigan pelo Senado opõe o republicano Mike Rogers ao democrata Abdul El-Sayed. Em um comício no estado, no fim de agosto, o vice-presidente J.D. Vance criticou as propostas de El-Sayed e disse que elas representavam “a raiz desse mal terrível que, acredito eu, está em ascensão nos Estados Unidos da América”.
El-Sayed respondeu que “o mal é tirar o acesso à saúde dos trabalhadores em troca de isenções fiscais para bilionários” e criticou o aumento dos custos de alimentos e combustível, as guerras comerciais e as guerras de fato. O candidato, filho de imigrantes egípcios e muçulmano, defende o fim da ajuda militar a Israel e participou de eventos organizados pelos Socialistas Democráticos da América, embora não faça parte do grupo.
O presidente e Vance têm intensificado a participação em eventos de campanha para apoiar candidatos republicanos. Trump prometeu fazer campanha em 35 distritos considerados competitivos. Em Ohio, participou de um comício em apoio ao senador republicano Jon Husted, que enfrenta o democrata Sherrod Brown em uma disputa acirrada.
Para o professor João Alfredo Lopes Nyegray, dos cursos de negócios internacionais e relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, uma vitória republicana seria interpretada como aprovação da gestão Trump e sinal de apoio dos eleitores às suas propostas. Uma derrota, afirmou, poderia reduzir a influência do presidente sobre os republicanos e estimular disputas internas pela direção do partido, inclusive entre possíveis candidatos à eleição presidencial de 2028.
Se os democratas controlarem uma ou as duas casas, poderão bloquear projetos, acompanhar a atuação do governo e comandar comissões parlamentares. Nyegray citou possíveis investigações sobre negócios da família Trump e conflitos de interesse, operações militares no Irã e na Venezuela, aplicação da política migratória e divulgação de arquivos do caso Epstein. Uma maioria democrata no Senado também poderia dificultar a confirmação de autoridades e juízes indicados pelo presidente.
O controle democrata do Congresso, porém, não tornaria provável a saída de Trump do cargo por impeachment. A Câmara pode aprovar a acusação por maioria simples, mas a condenação e a destituição exigem o apoio de dois terços dos senadores. Nyegray avaliou que os democratas dificilmente alcançariam esse patamar sem apoio republicano expressivo; uma tentativa sem chance de condenação, acrescentou, poderia ser apresentada por Trump como perseguição partidária.
Para entender
- Midterms
- São eleições legislativas realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso, mas não votam para presidente. As disputas abrangem cadeiras da Câmara dos Representantes e parte das vagas do Senado.
- Cook Political Report
- Publicação independente dos Estados Unidos que acompanha eleições e classifica disputas conforme a competitividade e as tendências eleitorais. Suas projeções não determinam o resultado das urnas e podem mudar durante a campanha.
- Battleground
- Termo usado para uma disputa eleitoral considerada competitiva e sem favorito claro. A classificação indica incerteza nas projeções, não que o resultado esteja garantido nem que campanhas não ocorram em outras regiões.