Volkswagen avalia congelar salários de 660 mil até 2030
O IG Metall estima perda de ao menos 10% no poder de compra em quatro anos, mas a empresa não confirmou a orientação interna.
Resumo em 30 segundos
Uma orientação interna da Volkswagen prevê planejar rodadas sem reajustes salariais até 2030 para cerca de 660 mil funcionários no mundo. O IG Metall calcula que a medida poderia reduzir o poder de compra em pelo menos 10% em quatro anos. A montadora não confirmou oficialmente o plano, que ainda não foi formalizado em acordo coletivo.
A Volkswagen estaria planejando congelar os salários de cerca de 660 mil funcionários no mundo até 2030, de acordo com uma orientação interna da área de recursos humanos, repassada no início de outubro. O plano foi divulgado nesta quarta-feira (21) e, se implementado, interromperia aumentos negociados e correções pela inflação.
O IG Metall, sindicato alemão que representa trabalhadores do setor metalúrgico, estima que a medida poderia reduzir em pelo menos 10% o poder de compra dos empregados ao longo dos próximos quatro anos. A entidade reivindica reajuste de 5% e critica a possibilidade de atribuir aos funcionários parte do esforço para equilibrar as contas da montadora.
A Volkswagen não confirmou oficialmente o congelamento salarial. A orientação interna teria sido distribuída para que a empresa planeje rodadas sem reajustes até o fim da década, mas não há indicação de que a decisão tenha sido formalizada em um acordo coletivo. Na Alemanha, os acordos tarifários negociados entre sindicatos e empresas definem condições de trabalho, incluindo salários, para as categorias abrangidas.
A discussão ocorre enquanto a montadora busca reduzir despesas e recuperar a rentabilidade. Uma proposta anterior do presidente-executivo, Oliver Blume, previa eliminar 100 mil empregos, mas enfrentou resistência dos representantes dos trabalhadores. Depois, a empresa teria negociado um corte menor, de 28 mil postos nas principais marcas do grupo, com economia estimada em mais de 1 bilhão de euros.
O congelamento dos salários poderia ampliar a redução de custos sem novas demissões em larga escala. A disputa também envolve as metas financeiras da companhia: o responsável pela área trabalhista da Volkswagen considerou irrealistas os objetivos de retorno operacional entre 8% e 10%.
A pressão sobre a empresa inclui os custos elevados na Alemanha, a concorrência de fabricantes chineses e as mudanças do mercado automotivo, sobretudo a expansão dos veículos elétricos. A companhia tenta melhorar sua competitividade global enquanto enfrenta divergências com os representantes dos funcionários sobre como repartir o impacto da reestruturação.
O alcance da possível medida — cerca de 660 mil trabalhadores no mundo — não esclarece quais unidades ou categorias seriam afetadas. O IG Metall atua nas negociações trabalhistas da Volkswagen na Alemanha, mas a informação divulgada não detalha como um eventual congelamento seria aplicado a funcionários vinculados a diferentes acordos ou empresas do grupo.
Para entender
- Acordo tarifário
- Na Alemanha, acordos tarifários são negociados entre sindicatos e empresas ou entidades patronais. Eles estabelecem condições de trabalho, como salários e jornada, para os trabalhadores abrangidos pela negociação.