Versalhes abre mostra de Maria Antonieta e lança documentário em outubro
A mostra no Petit Trianon reúne figurinos, adereços e documentos de produção do filme de Sofia Coppola, lançado em 2006 e rodado em Versalhes.
Resumo em 30 segundos
O Palácio de Versalhes inaugurou no Petit Trianon uma exposição sobre “Maria Antonieta”, filme de Sofia Coppola lançado em 2006. A mostra apresenta figurinos premiados com o Oscar, adereços e materiais de produção até 24 de janeiro. Coppola também concluiu um documentário feito com imagens de bastidores gravadas por sua mãe, previsto para estrear nos EUA em 23 de outubro.
O Palácio de Versalhes abriu uma exposição dedicada ao filme “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola, no Petit Trianon, na França. A mostra marca os 20 anos da produção, lançada em 2006, e reúne figurinos, adereços, esboços e fotografias usados na realização do longa, parte dele filmada no próprio palácio. A exposição fica em cartaz até 24 de janeiro.
O Petit Trianon é um pequeno palácio dentro da propriedade de Versalhes que foi concedido à rainha Maria Antonieta para uso privado na década de 1770. A mostra ocupa espaços ligados à antiga residência da monarca e apresenta manequins que recriam cenas do filme em seus aposentos privados.
Entre os itens expostos estão os figurinos de Milena Canonero, premiados com o Oscar, além de materiais de preparação e pesquisa. Coppola afirmou que ficou surpresa com o convite e que se animou ao saber do interesse dos curadores pelos documentos de produção. A diretora recuperou materiais guardados por sua família no Vale de Napa, enquanto integrantes da equipe também localizaram peças e acessórios para compor a exposição.
A equipe recriou elementos visuais do longa para a mostra, incluindo parte da iluminação usada durante as filmagens. Coppola disse que voltar ao local foi uma experiência surreal por estar novamente na residência real de Maria Antonieta, diante dos figurinos e objetos de sua própria versão da história.
Lançado em 2006, o filme chamou atenção pelo uso de música contemporânea, figurinos exuberantes e referências visuais deliberadamente diferentes das convenções dos filmes de época. A combinação dividiu opiniões à época. Coppola disse que a reação de parte do público, que se ofendeu com os anacronismos, foi decepcionante, embora soubesse que a abordagem poderia parecer provocadora.
A diretora contou que queria criar uma experiência diferente dos dramas históricos que conhecia, muitas vezes compostos como grandes quadros inspirados em pinturas. Ao visitar os aposentos de Maria Antonieta, chamou sua atenção o tom turquesa vibrante dos tecidos. Segundo ela, essa observação ajudou a afastar o filme das cores terrosas e suaves que predominavam em produções de época.
Coppola também buscou imaginar a vida emocional da rainha e associou aspectos dessa experiência à Los Angeles do início dos anos 2000, quando escrevia o roteiro. Ela disse que pensou em mulheres que faziam compras para ocupar o tempo e traçou um paralelo com o que imaginava sobre a vida de Maria Antonieta.
A cineasta avalia que o longa encontrou novos espectadores desde sua estreia. Segundo ela, jovens compartilham no TikTok montagens do filme com músicas de hip-hop, e algumas mães e filhas dizem assistir à produção juntas. Coppola também relatou que homens lhe contaram que o filme teve importância no momento em que se assumiram gays.
O retorno a “Maria Antonieta” também levou Coppola a concluir um documentário iniciado por sua mãe, Eleanor Coppola, que morreu em 2024. Durante as filmagens do longa, Eleanor registrou quase 100 horas de bastidores com a intenção de produzir um documentário, mas não chegou a finalizar o projeto.
Coppola retomou o material durante a pandemia, quando a família estava reunida em casa, em Napa. Ela disse que nunca havia assistido às gravações completas e se impressionou com os detalhes registrados, como a confecção dos figurinos, das perucas e das flores. A diretora prometeu à mãe que concluiria o filme e trabalhou na edição ao longo do último ano, com um editor e um amigo de Eleanor.
Intitulado “Making Marie Antoinette”, o documentário será lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 23 de outubro. Coppola afirmou que o projeto também registra sua trajetória como jovem diretora e a perspectiva de sua mãe, que acompanhou o trabalho no set. Parte do material já havia sido usada como conteúdo extra no DVD do longa, mas a maior parte permaneceu guardada até a retomada do projeto.
Quem é quem
- Sofia Coppola
- Cineasta e roteirista norte-americana, conhecida por filmes como “Maria Antonieta”, lançado em 2006. Dirigiu a produção e retomou imagens de bastidores gravadas por sua mãe para concluir o documentário “Making Marie Antoinette”.
- Palácio de Versalhes
- Complexo palaciano localizado em Versalhes, na França, associado à monarquia francesa. A propriedade inclui o Petit Trianon, residência que foi concedida a Maria Antonieta para uso privado na década de 1770.
- Eleanor Coppola
- Artista e cineasta norte-americana que registrou quase 100 horas de bastidores durante as filmagens de “Maria Antonieta”, com a intenção de produzir um documentário. Morreu em 2024, antes da conclusão do projeto, finalizado por sua filha Sofia.