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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Vapor Panda usa IA para invadir sistemas de governos latino-americanos

A campanha durou 11 dias e atingiu mais de 200 organizações em ao menos 14 países; a CrowdStrike não revelou quais governos latino-americanos foram alvo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de segurança digital de um governo, com analistas diante de telas que representam atividades de rede. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de segurança digital de um governo, com analistas diante de telas que representam atividades de rede.
Resumo em 30 segundos

O grupo de espionagem Vapor Panda usou o programa ARTEX, que automatiza tarefas com agentes de inteligência artificial, em uma campanha contra mais de 200 organizações de pelo menos 14 países. Dois países latino-americanos foram atingidos e um terceiro provavelmente também, mas a CrowdStrike não informou quais nem que dados foram acessados.

Um grupo de espionagem ligado à China usou inteligência artificial para invadir sistemas de autoridades diplomáticas de dois países da América Latina e provavelmente de um terceiro, segundo um relatório da empresa de cibersegurança CrowdStrike. A ofensiva, atribuída ao grupo Vapor Panda, começou em 17 de outubro, durou 11 dias e integrou uma campanha contra mais de 200 organizações em pelo menos 14 países. Os países latino-americanos atingidos não foram identificados.

O relatório descreve ataques contra ministérios de Relações Exteriores, órgãos de governos, empresas de semicondutores e organizações ligadas à defesa. Em um país europeu, os alvos incluíram a Presidência e o gabinete do primeiro-ministro. A CrowdStrike também identificou planos preparados contra chancelarias da Ásia e da América Central, mas não informou quais países estavam envolvidos.

O Vapor Panda atua desde 2021, mas esta foi a primeira vez que a empresa detectou o grupo usando agentes de inteligência artificial. A ferramenta empregada foi o ARTEX, um programa de código aberto criado neste ano por um desenvolvedor chinês para testar a segurança de redes. O sistema funciona principalmente com o modelo DeepSeek.

O ARTEX automatiza etapas de ataques digitais e permite que agentes de IA trabalhem contra vários alvos ao mesmo tempo, sob supervisão de um operador humano. Segundo a CrowdStrike, esse operador dá instruções em chinês e toma decisões consideradas estratégicas. A empresa estima que uma pessoa, trabalhando sem a ferramenta, costuma executar até 40 comandos por hora; com o programa, o ritmo pode ultrapassar 1.500.

O desenvolvedor fechou o código do ARTEX em 8 de outubro, após perceber que o programa estava sendo usado de forma maliciosa. Os ataques atribuídos ao Vapor Panda tiveram início nove dias depois. O fechamento do código não impediu a campanha, que já alcançava organizações de diversos setores e regiões.

A escala é uma das implicações da automação: agentes de IA podem executar tarefas repetitivas em muitos sistemas, enquanto uma pessoa orienta as decisões principais. Isso não elimina a necessidade de operadores humanos, mas pode reduzir o tempo e o esforço necessários para ampliar uma operação de espionagem. Para governos, a invasão de novos alvos pode se tornar mais rápida e barata.

A CrowdStrike não nomeou os países latino-americanos atingidos. A região mantém relações diplomáticas diversas com Taiwan e Pequim, e governos podem ser alvos de espionagem por informações sobre posições políticas, negociações e acordos econômicos. O relatório, porém, não detalha os objetivos específicos das invasões nem confirma quais dados foram acessados.

Em 12 de outubro, Pequim impôs sanções ao chanceler de Belize e ao ministro de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai por seus vínculos com Taipé, nome usado para se referir à capital taiwanesa. O governo chinês afirmou que a medida deveria servir de alerta a outros. Belize e Guatemala estão entre os países da América Central que mantêm relações com Taiwan, mas o relatório não os aponta como alvos confirmados.

A divulgação ocorre em meio a preocupações sobre a circulação de ferramentas de IA capazes de executar tarefas de ciberataque. Em outubro, a Microsoft relatou que outro grupo alinhado a Pequim usou o ARTEX contra centenas de organizações. Dias antes, o governo chinês havia proposto incluir agentes de inteligência artificial na lista de tecnologias sujeitas a restrições de exportação por motivos de segurança nacional.

Agentes de IA são sistemas que podem receber instruções e realizar sequências de tarefas com algum grau de autonomia. Em operações digitais, podem ajudar a examinar redes e executar ações em escala, mas a atividade descrita pela CrowdStrike também dependia de decisões e comandos de um operador. O uso de ferramentas abertas por grupos de espionagem evidencia que programas criados para testes de segurança podem ser adaptados para fins maliciosos.

O caso também envolve a disputa entre China e Taiwan. Pequim considera a ilha parte de seu território, enquanto Taiwan tem governo próprio e mantém relações diplomáticas com um número limitado de países. A busca por informações sobre posições de governos latino-americanos pode ser relevante nesse contexto, embora não haja confirmação de que esse tenha sido o motivo dos ataques relatados.

O relatório da CrowdStrike não identifica os países afetados nem informa quais dados foram obtidos. Também não detalha possíveis danos ou consequências para as organizações atingidas. O episódio indica, porém, que a automação pode ampliar a quantidade de alvos de uma campanha de espionagem, inclusive em governos cujas equipes de segurança digital têm recursos limitados.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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