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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Bancos projetam alta da Bolsa com expectativa de mudança fiscal

UBS estima valorização de cerca de 25% para ações brasileiras, enquanto a XP prevê cenários de alta de até 41% ou queda de 20%.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Profissional acompanha o mercado financeiro diante do horizonte de São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Profissional acompanha o mercado financeiro diante do horizonte de São Paulo.
Resumo em 30 segundos

Após o primeiro turno, bancos e casas de análise elevaram as projeções para ações brasileiras, apostando que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia adotar maior controle fiscal. O UBS vê potencial de alta de cerca de 25% para a Bolsa; a XP estima avanço de até 41% em cenário otimista, mas alerta para possível queda de 20% se as contas públicas piorarem.

Bancos e casas de análise elevaram as projeções para ações brasileiras após o primeiro turno das eleições, em meio à expectativa de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) adote maior controle das contas públicas. Nesta quinta-feira, 15, o UBS passou a recomendar uma posição atrativa em ações do país, enquanto o Ibovespa caiu 1,05%, para 204.324 pontos, e o dólar subiu 1,15%, a R$ 5,088.

O senador terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno no próximo dia 25. Parte dos investidores considera que uma alternância de poder poderia resultar em uma política fiscal mais sólida e diminuir a percepção de risco associada aos ativos brasileiros.

A avaliação dos bancos se apoia na possível relação entre as contas públicas, os juros e o desempenho das empresas. Se o governo precisar pagar um prêmio menor para captar recursos, as taxas de longo prazo podem cair. Juros menores reduzem o custo do crédito e podem favorecer os lucros das companhias, o que tende a apoiar os preços das ações.

O UBS rebaixou, ao mesmo tempo, sua recomendação para títulos pós-fixados, investimentos cuja remuneração acompanha uma taxa de referência, de neutra para desfavorável. O banco estima potencial de valorização de cerca de 25% para a Bolsa e aponta empresas sensíveis aos juros, como as de construção civil e serviços de utilidade pública, além de companhias menores e voltadas ao mercado interno, como possíveis beneficiárias.

Em relatório, Ronaldo Patah, chefe de estratégia de investimentos do UBS no Brasil, e Luciano Telo, diretor-executivo de investimentos no país, afirmaram que aumentou a possibilidade de um regime fiscal mais confiável. Na avaliação dos dois, isso poderia criar um ciclo de redução do risco soberano, queda dos juros, melhora da confiança e crescimento mais sustentável.

O Goldman Sachs manteve em 215 mil pontos sua projeção para o Ibovespa e vê espaço para novas altas à medida que o programa do próximo presidente seja esclarecido. O banco espera crescimento dos lucros das empresas em 2026 e 2027 e considera que a redução dos juros de longo prazo explica mais de 85% da valorização recente do índice. A instituição também observou que ações sensíveis aos juros, empresas ligadas à economia doméstica e companhias de menor capitalização avançaram de 15% a 25% desde a eleição.

A XP calculou potencial de alta de até 41% para o Ibovespa em um cenário otimista, com reformas estruturais e maior disciplina fiscal. No cenário-base, mantendo os juros reais nos níveis atuais, a projeção é de avanço entre 9% e 13%. Se as contas públicas piorarem, os juros reais subirem e os lucros empresariais recuarem, a Bolsa poderia cair 20%.

A XP também estimou que a volta do Brasil ao peso histórico nos índices de mercados emergentes da MSCI poderia atrair entre R$ 60 bilhões e R$ 270 bilhões de investidores estrangeiros. A entrada de recursos de investidores locais poderia ficar entre R$ 268 bilhões e R$ 600 bilhões se os juros caírem. Os valores são cenários projetados pela instituição, não aportes já realizados.

As projeções convivem com incertezas sobre a política econômica de Flávio. A equipe do senador estuda um ajuste inicial de cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 250 bilhões, com medidas como limitar ganhos reais de benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e extinguir pisos constitucionais de gastos com saúde e educação. Flávio nega que pretenda adotar essas medidas.

A reação favorável dos mercados vista após o primeiro turno teve uma reversão parcial nesta quinta-feira. No pregão seguinte à votação, o Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos, o dólar ficou abaixo de R$ 5 e os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte. Nesta quinta, contudo, a Bolsa terminou em baixa e a moeda americana avançou. O Goldman Sachs projeta o dólar a R$ 4,70 em três meses, R$ 4,75 em seis meses e R$ 4,80 em 12 meses; com um plano fiscal considerado plausível, avalia que a cotação poderia ficar entre R$ 4,50 e R$ 4,80.

Fontes: Folha de S.Paulo, Valor Econômico

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