União Brasil e PP tendem a apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno
A federação vai consultar deputados e senadores eleitos antes de definir posição nacional; a tendência é liberar diretórios estaduais para apoiar Lula.
Resumo em 30 segundos
União Brasil e PP devem apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas a federação só definirá sua posição nacional após reunião marcada para terça-feira, em Brasília. A tendência é permitir que diretórios estaduais apoiem Lula sem punição. MDB e Republicanos também enfrentam divergências, enquanto Cleitinho Azevedo já declarou apoio ao candidato do PL.
A federação formada por União Brasil e PP tende a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, após o resultado apertado da votação de domingo (4). Com 99,93% das urnas apuradas, o senador recebeu 47,05% dos votos válidos, ante 45,14% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e disputará a etapa final com o petista.
A direção da federação marcou para terça-feira (6), às 16h, uma reunião em Brasília com deputados e senadores eleitos. Os dirigentes querem ouvir as lideranças regionais antes de definir a posição nacional. A tendência é apoiar Flávio, mas permitir que diretórios estaduais façam campanha por Lula sem sofrer punições.
Os presidentes das duas siglas, Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, devem participar do encontro. Nogueira está mais inclinado ao apoio ao candidato do PL, enquanto Rueda e outros dirigentes do União Brasil agem com maior cautela. Aliados de Rueda condicionam uma possível aliança ao apoio do PL à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027.
A federação reúne as duas legendas em uma estrutura partidária comum. Juntas, elas projetam eleger cerca de 115 deputados, o que poderia dar a um eventual governo de Flávio uma base numerosa na Câmara. Ciro Nogueira, que ficará sem mandato a partir de fevereiro, também pode negociar participação em um ministério, segundo aliados.
A sinalização de apoio ocorre após a votação de Flávio surpreender lideranças do chamado centrão, que esperavam que Lula terminasse o primeiro turno à frente, ainda que por margem pequena. Partidos desse grupo podem anunciar posições a partir desta segunda-feira (5). Alianças também podem ser vistas como uma forma de buscar espaço e influência em um eventual novo governo.
No segundo turno, porém, o apoio formal de partidos tem efeito principalmente político e simbólico. Diferentemente do primeiro turno, quando o tamanho das bancadas das coligações influencia a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na televisão, os dois candidatos dividem igualmente esse espaço na disputa final.
A posição do MDB permanece indefinida. O partido vinha se encaminhando para a neutralidade, mas o resultado das urnas enfraqueceu integrantes ligados a Lula: Renan Calheiros perdeu a disputa pela reeleição ao Senado em Alagoas, e Renan Filho foi derrotado na corrida pelo governo estadual. Também não houve um sucessor eleito para Helder Barbalho no governo do Pará, embora ele tenha conquistado uma vaga no Senado.
O Republicanos também enfrenta posições divergentes. A legenda abriga apoiadores de Flávio, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e dirigentes próximos de Lula, entre eles o presidente da Câmara, Hugo Motta. A tendência é o partido não declarar apoio nacional e deixar cada diretório livre para escolher um candidato.
Em Minas Gerais, o governador eleito Cleitinho Azevedo, do Republicanos, declarou apoio a Flávio no segundo turno. No discurso após a eleição, afirmou que pretende contribuir para a pacificação do país e que buscará diálogo com o governo federal, seja qual for o resultado da disputa presidencial. O Solidariedade e o PRD, que concorreram juntos em uma federação, também discutem se manterão a neutralidade ou apoiarão o candidato do PL.
Para entender
- Federação partidária
- É uma aliança formal em que partidos atuam como uma única agremiação por pelo menos quatro anos. As siglas mantêm seus nomes e estruturas, mas precisam agir em conjunto nas eleições e no funcionamento parlamentar.
- Centrão
- Termo usado para descrever um conjunto de partidos e parlamentares sem uma identidade ideológica única, frequentemente associado à negociação de apoio político no Congresso. Sua composição pode variar de acordo com o período e as alianças.